quarta-feira, 29 de outubro de 2025

“O Brasil precisa decidir de que lado está na disputa digital”

“O Brasil precisa decidir de que lado está na disputa digital”

Soberania dos dados e risco de dependência das big techs são temas centrais da análise de James Görgen, no programa Forças do Brasil

Conteúdo postado por: Dafne Ashton 29 de outubro de 2025, 16:55 

247 - O jornalista e especialista em gestão governamental James Görgen afirmou que o Brasil vive um momento decisivo para definir seu papel na chamada “nova corrida tecnológica global”. A declaração foi dada em entrevista ao programa Forças do Brasil – Especial: A bolha da Inteligência Artificial e o Brasil, exibido pela TV 247. Na conversa, Görgen analisou o cenário geopolítico e econômico em torno da inteligência artificial e alertou para os riscos de o país permanecer dependente das grandes corporações de tecnologia sediadas nos Estados Unidos. A entrevista discute os caminhos do desenvolvimento nacional em temas estratégicos como inovação, soberania digital e o futuro do trabalho em meio à automação.

O dilema brasileiro na disputa tecnológica

Para Görgen, o Brasil enfrenta uma encruzilhada semelhante à dos anos 1940, quando Getúlio Vargas precisou escolher o alinhamento do país na Segunda Guerra Mundial. “Estamos vivendo algo muito parecido. Há uma disputa bipolar entre Estados Unidos e China, e o foco dessa vez não são siderúrgicas, mas data centers e serviços de nuvem”, afirmou. “O Brasil precisa decidir de que lado está na disputa digital.”

Segundo ele, a nova “guerra fria tecnológica” é travada no campo da informação e do controle dos dados. As chamadas big techs norte-americanas — como Amazon, Microsoft e Google — concentram a infraestrutura global de armazenamento e processamento digital, o que coloca outros países em posição de vulnerabilidade. “Essas empresas detêm o controle de dados estratégicos. Mesmo quando operam fora dos Estados Unidos, estão sujeitas às leis americanas, que permitem ao governo daquele país acessar informações sigilosas”, explicou.

O desafio da soberania digital

Görgen defendeu que o Brasil avance na construção de uma “nuvem soberana”, capaz de garantir que dados sensíveis do governo e das empresas públicas fiquem sob controle nacional. “O governo vem trabalhando nisso por meio da Infraestrutura Nacional de Dados, que busca proteger os ativos digitais estratégicos. Mas ainda dependemos de equipamentos e serviços estrangeiros, porque o país não tem grandes fornecedores nacionais”, disse.

O especialista também mencionou a necessidade de políticas públicas mais firmes para evitar a concentração do setor em mãos estrangeiras. “Hoje, dois terços do mercado de serviços de nuvem no Brasil são controlados por quatro empresas estrangeiras. É fundamental estimular provedores nacionais e criar um ecossistema digital brasileiro, sob controle soberano”, afirmou.

O papel do governo e os riscos de vulnerabilidade

Questionado sobre a recente aproximação entre o Gabinete de Segurança Institucional (GSI) e a Amazon Web Services, Görgen destacou que há uma preocupação crescente com a segurança dos dados oficiais. “O GSI está negociando um acordo de cooperação técnica, não um contrato direto. Ainda assim, o tema exige vigilância. Antes, era proibido armazenar dados ultrassecretos em empresas privadas. Agora, a norma diz que preferencialmente devem estar em empresas públicas, o que abre brecha para mudanças”, alertou.

Ele lembrou que a maioria dos sistemas críticos do Estado — como Bolsa Família e SUS — ainda está hospedada nos data centers da Serpro e da Dataprev, o que preserva certo grau de soberania. “Mas é preciso ir além da infraestrutura. O Brasil precisa dominar também a camada de software, desenvolver suas próprias soluções e reduzir a dependência de plataformas estrangeiras.”

Geopolítica e segurança estratégica

Na entrevista, Görgen também comparou os modelos adotados por Estados Unidos e China no desenvolvimento da inteligência artificial. Enquanto os americanos apostam em forte financeirização e dependência das bolsas de valores, a China opta por políticas industriais baseadas em receitas reais e controle estatal. “O mercado financeiro chinês é mais controlado, tem menos apetite especulativo. Eles decidiram ganhar dinheiro com IA por meio de negócios concretos, não com bolhas financeiras”, observou.

O especialista alertou que essa diferença pode ter consequências profundas para o equilíbrio global. “Os Estados Unidos resolveram ganhar dinheiro com IA. A China decidiu ganhar soberania. São estratégias distintas — uma aposta na valorização artificial, a outra em infraestrutura real.”

Uma decisão histórica

Para James Görgen, o Brasil tem diante de si uma escolha estratégica que definirá seu futuro tecnológico e econômico. “De 80 anos para cá, não havia algo tão importante. O governo Lula está atento, mas a sociedade debate pouco. Sofremos de uma ‘síndrome de Estocolmo digital’: fomos sequestrados por essas empresas e acabamos por amá-las”, afirmou.

O jornalista concluiu que o país precisa agir com rapidez e lucidez para não repetir a dependência estrutural de outras revoluções tecnológicas do passado. “O Brasil tem a oportunidade de construir sua soberania digital agora. Se perdermos esse momento, continuaremos pagando caro por usar a inteligência e a infraestrutura dos outros.” Assista:

terça-feira, 28 de outubro de 2025

Qual o tempo de treino de força ideal para viver mais, segundo Harvard

 Qual o tempo de treino de força ideal para viver mais, segundo Harvard

28/10/2025 18h18

    Treinos de força ajudam a viver mais e melhor, mas não é preciso exagerar para obter benefícios

Quando o objetivo é viver mais e melhor, não é preciso passar horas na academia. De acordo com a Harvard Health Publishing, estudos recentes publicados no British Journal of Sports Medicine mostraram que 30 a 60 minutos semanais de treinos de força já são suficientes para reduzir o risco de morte prematura entre 10% e 17%.

Ou seja, duas sessões curtas de musculação, de cerca de meia hora cada, podem fazer uma diferença na sua expectativa de vida.

A lógica é simples: o treinamento de força vai muito além da estética. Ele melhora a forma como o corpo utiliza o açúcar no sangue, ajuda a controlar a pressão arterial e queima calorias. O resultado é menos inflamação, menos gordura e uma proteção natural contra doenças crônicas como diabetes, câncer e problemas cardiovasculares.

Edward Phillips, professor associado na Escola Médica de Harvard, recomenda trabalhar todos os principais grupos musculares duas vezes por semana durante 30 minutos —ou sessões diárias mais curtas. Os benefícios são graduais —e uma vez por semana é melhor do que nada.

Treinar certo é melhor do que treinar demais

O erro mais comum de quem começa é achar que quanto mais tempo na academia, melhor. A ciência, no entanto, mostra o contrário: o segredo está no equilíbrio entre estímulo e recuperação.

Segundo o American College of Sports Medicine, cinco sessões semanais de 30 minutos de exercício moderado já  bastam para garantir bem-estar e afastar doenças como infarto e AVC. Se o treino for mais intenso, três dias por semana são suficientes.

No caso da musculação, o ideal é combinar os treinos de força com atividades aeróbicas leves, como corrida, caminhada ou bicicleta.

Quem prefere treinar pesado pode seguir um esquema de duas a quatro sessões de musculação por semana, alternando os grupos musculares (por exemplo, pernas em um dia e braços no outro). Isso dá tempo para o corpo se regenerar — é durante o descanso que o músculo cresce e a força se consolida.                                                                                      

E sim: mesmo treinos curtos podem ter um impacto duradouro, desde que realizados com regularidade e técnica correta.                                                                                                     

Força vem do conjunto: treino, descanso e alimentação    

Nenhum treino de força faz milagre sozinho. A longevidade é fruto de um conjunto de fatores, e a alimentação adequada é um dos pilares.                                        

Sem fornecer os nutrientes certos, sobretudo proteínas, ferro, vitaminas do complexo B e minerais como magnésio e zinco, o corpo não consegue reconstruir as fibras musculares e nem sustentar o ganho de força.                                                                                                                                                                                                                                                   Outro ponto crucial é o repouso. Músculos não se fortalecem durante o exercício, e sim nas horas seguintes, quando o corpo repara os microdanos gerados pelo esforço. Esse processo consome energia, acelera o metabolismo e melhora o gasto calórico total do dia. Para quem está começando, a recomendação é buscar orientação profissional. Um profissional de educação física pode ajustar o tipo, a duração e a intensidade do treino conforme os objetivos — seja manter a saúde, ganhar massa magra ou simplesmente espantar o sedentarismo.