ÌNDICE
1. O Goyanez -´(Texto completo)
2 - Rede Comunitária de Comunicação/Escola de Expressão e Comunicação Comunitária/Escola de Cinema do Cerrado
3 - PÓLO DE PRODUÇÃO AUDIOVISUAL DE GOIÂNIA
NOME DO PROJETO: O GOYANEZ
EQUIPE
https://gyncronicacafecomletrasredeccom.blogspot.com/2023/11/lei-paulo-gustavo-equipe-link.html
(Informe quais são os profissionais que atuarão no projeto, conforme quadro a seguir, você poderá utilizar quantas linhas forem necessárias)
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FUNÇÃO NO PROJETO |
CPF/CNPJ |
PESSOA NEGRA? |
PESSOA ÍNDIGENA? |
PESSOA COM DEFICIÊNCIA? |
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George Duarte |
Diretor/Roteirista |
225.445.181-20 |
Não |
Não |
Não |
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Luzia Mello |
Atriz |
197.397.611-00 |
Não |
Não |
Não |
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Luís Cláudio Irineu Rezende |
Ator |
030.114.466-44 |
Não |
Não |
Não |
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Marília Ribeiro |
Atriz/Produtora |
861.093.081-52 |
Não |
Não |
Não |
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Marcella Tamm |
Diretora de Arte |
428.595.901-10 |
Não |
Não |
Não |
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Antonio Raposo |
Produtor |
404.058.856-87 |
Sim |
Não |
Não |
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Alexandre Gentil |
Produtor |
606.524.031-16 |
Não |
Não |
Não |
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Ernando Nunes |
Fotógrafo/cinegrafista |
225.445.181-20 |
Sim |
Não |
Não |
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Makena Ponto |
Animação de Redes Sociais |
225.445.181-20 |
Sim |
Não |
Não |
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Michelly
Santana |
Diretora de Fotografia/Oficineira |
052.971.441-83 |
Sim |
Não |
Não |
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Ponto de Cultura Novo Ato |
Estúdios de Oficinas e Filmagens |
07.983.516/0001- 42 |
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O Goyanez
(Texto completo)
(Roteiro da Comédia Caipira de GEORGE DUARTE)
Oficina de Roteiro para a Comunidade com o autor George Duarte durante a Pré produção do Projeto “O GOYANEZ”
Adaptação de Texto Teatral para a linguagem Audiovisual – Roteirização Técnica para Cinema da obra adaptada
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Possibilitar o desenvolvimento narrativo e capacitação de talentos que saibam “contar histórias” visualmente. | Iniciar profissionais capazes de atuar em diferentes níveis e em áreas variadas dentro do território da função de Roteirista |
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ZEFERINO – Tô qui um eito e nada de fisgá nim um lambari. Disgrama, sô! Tô doido módi um pêxe fritim com farinha. Boca logo essa isca pêxe inzonero. (espera um instante) – Ô seus pêxe fé duma égua, vai tratando de grudá nesse anzór, sinão dêço aí e dô uma pisa nocêis. Só vô isperá mais um tiquim inconto dô uma pitada. Ói queu tô avisano.
(Maroca Torrando café)
MAROCA - Êta qui agorica memo vô cuá um cafézim dos bão pra modi tomá cumeno as broinha de fubá assada no meu forno novo. Chego de tá babando de água na boca só de pensá na gustusura. Qué coisa mió do que introxá o rabió-bó cumeno broinha e funilano um bules de café intirim na vorta do dia? Torra logo café quieu tô samiada! Torra logo café quieu tô samiada!
ZEFERINO - Fisgô! Icha, e é um bitelão. Brigado meu são Papão. Vô reserva um naco dum tamanão prús ôto santo. (Puxa, vem uma botina) – Ô quiçaça. Colé qui foi o mutreco discarado qui tafuiô essa botina no corgo? Tomara qui há de nascê um monte de pereba no pé desse iscumunguento. (Pega a botina e joga fora) – Sai pra lá fedorenta.
(Badú coloca a mala no chão)
BADÚ - Ô cafundó do Juda, oi eu qui traveis, fió-ó-fó do mundo! Dispois de pruveitá bem pruveitado u’a quadra na cidade, tê qui pisá nessa roça de novo é um sacrifiço. Mais vô levá o que vim buscá nem que a vaca tussa e cuspa, nem que arranque pica-pau do ôco, nem que galinha nasce dente. Priciso agora é de discansá purqui tô um mulambo. Vô rumá prá tapera da cumá Maroca e dá um jeito de incostá naquela panaca purêsses dia.
MAROCA - (Moendo café) A água já tá na fervura lá na rabinha. Cabano de muê, passo nu cuadô e num vejo a hora de manducá as broinha. Mói logo café quieu tô samiada! Mói logo café quieu tô samiada.
ZEFERINO - (Pescando) Anda pêxe pasmado. Já tõ iscaderado de tanto fica qui cocado. Si num cumê pêxe fritim hoje, ieu vô inté águá. Icha, gora é de memo. E é um baita pexão (Tira uma capanga) – Cruis credo. Qui troço isquisito. Mais qui porcariada é essa nesse corgo? Cadê os pêxe, meu pai do céu? (Joga a capanga fora). Sai pra lá inguiço! Cáus qui será qui num tem mais pêxe? Cáus qui será?
(Badú perdida)
BADÚ - Mais será o Benedito ou o chapéu dele? Tô pirdida nesse capuerão. Cadê o triêro qui vai da lá na tapera daquela muquirama? Eu jurava qui tinha um pé de pau de barriguda aqui. E era só imbrenhá até a portêra do Zé Bregue, disandá ladêra abaixo até a furna da onça e caminhá mais um pôco prá chegá naquela magricela da cumá Maroca. Qué sabe? Vô isguelá aqui té arguém me iscutá e vim mi ajudá.
(Solta um grito)
MAROCA - Mais qui gritaria é essa? Quem qui será? Tá vino lá das banda da furna da onça, será qui argum boiota testô com o bichano? Parece cum grito de gente qui eu cunheço. Ara, dexa eu passá meu café. (Continua a coar café) – deve de sê argum fulio insaiano pra fulia. Ô cherim danadi bão. Já, já vô inchê o pandú. Cúa café qieu tô samiada. Cua café qui eu tô samiada.
(O grito de Badú)
ZEFERINO - Vai gritá nos cú dos pôrco, bisca ruim. Já num chega eu num achá pexe, inda vem uma guela grande pra acabá de ispantá? Perai, tô té veno. Lá envem um pexe. Envem, Envem, Envem... (Badú grita) – iscapuliu! Mais qui disgreta, sô. Si eu pegá o sujeito qui tá isguelano eu vô frevê nele de pescoção, té muntuá ele no chão. E óia quieu tô cunheceno esse grito. Pelo zunido só pode sê da sariadera da Badú. Mas aquela bruaca faiz um tempo qui deu no pé pá cidade. Vorto pra cherá o quê? Icha, fisguei um renzão (Puxa uma ferradura) – Não! Sacramento! Vai vê qui corgo num é mais lugá de pexe. Gora infezei, num pesco mais. (Joga a ferradura fora) – Sai prá lá tranquitana. Mais qui raiva, sô! Ficá cocado aqui um tempão e num consegui fisga nim um lambari. Meu estambu chega de tá isbarrando lá na cacunda . (Fareja) – Epa! Tô sintindo um cherim bão de café e tá vino lá das banda da Maroca. Num vô ficá no prejuízo. Quem num tem pexe frito caça cum café quentim da Maroca. Inda mais qui ela custuma tê daquelas broinha qui dismancha na boca. Vô dá o pira prá lá antes dela guardá a merenda, quieu num sô pangô.
(Maroca arrumando a mesa)
MAROCA - Prontim!! Já tramelei tudo quanto é porta e janela pá num aparecê nenhum lumbriguento de zói ispichado pra riba da minha merenda. Gora vô introchá de broinha e intorná esse bules de café té chacuaiá no estambu.
(Põe café na caneca, pega uma broa. Batidas à porta. Maroca engole tudo de uma só vez)
ZEFERINO - Ô di casa!
MAROCA - Ô capeta! Cumé qui pode? Logagora?
ZEFERINO - Ô Maroca!
MAROCA - E é aquele atrivido do Zefirino do zói maió qui a barriga. Cum pôco vai querê isganá minha merenda. Mais ele topa! Vô ficá de bico calado cumu si num tivesse vivarma im casa.
(Maroca junta tudo)
ZEFERINO - Ô Maroca, é ieu, Zefirino.
MAROCA - Cum coisa qui eu num manjo a fala desse isgabilado qui só pensa im cumê!! Puis ispera ai sentado qui im pé cansa, seu veiaco.
ZEFERINO - Abre a porta, Maroca.
MAROCA - Ieu num tô qui não, Zefirino.
(Percebe que deu bobeira e põe a mão na boca)
ZEFERINO - Dexa de leréia, muié. Abre Logo essa porta, correno!
MAROCA - Ô, que reiva. Gora ele sabe qui tô qui. Sabe Zefirino, é quieu tô intrevada na cama. O rematismo me pegô di tar manera, quieu num tô nem dano conta de aluí o pé.
ZEFERINO - Tá bão, intão tô ino.
MAROCA - Vai cum Deus Nossa Sinhora. Capeta atraiz tocano viola.
ZEFERINO - Quiria ti contá um assucidido lá nas furna da onça.
MAROCA - (Mais interessada) Qui qui foi ?
ZEFERINO - A onça cumeu u’a pessoa, sabe?
MAROCA - Quem qui foi?
ZEFERINO - Ah, num dá pra contá assim, não. Ládifora? Abre a porta, muié.
MAROCA - Ô ispraguejado! Esse fedaputa sabe quieu num guento fica sem sabê duma prosa qui nem quiessa tim tim por tim tim, ainda cum onça no mêi....
ZEFERINO - Uai, num vai querê sabê não, Maroca?
MAROCA - Ieu num guento, vô tê qui abri prêsse fii du’a égua. Mais ele vai sobrá de cuié purquê vô infurná minha merenda qui ele num vai nem sinti o chêro.
ZEFERINO - Cumé quié Maroca, abre ô num abre?
MAROCA - To ino, peraí! Qui sangria disatada! Num pode isperá um tiquim?
(Maroca vai abrir a porta, Zeferino entra)
MAROCA - Qui cocê tava falano? Quem qui a onça pegô?
ZEFERINO - (Olhando prá cozinha) Carma Maroca, dexeu tomá forgo purqui ieu vim isbafurido modi ti contá.
MAROCA - Senta qui e mi conta loguisso.
ZEFERINO - (Sentado e olhando para os lados) Vô inrolá um pito, primero.
MAROCA - Pronto. Já vi tudo!
ZEFERINO - Já vi tudo o quê, Maroca?
MAROCA - Já vi quiessa histora da onça é das boa. Conta logo, conta!
ZEFERINO - Uai! Gora dei por conta, Maroca. Prá quem tava intrevada, sem podê aluí o pé, cê sarô vuano, né?
MAROCA - É quéssas histora de onça me faz sará loguim, loguim. É um santo remédio. Foi Deus qui ti mandô aqui, Zeferino, prá mim sará cuessa histora.
ZEFERINO - Ô discurpinha mar remendada essa. Inventa ôta, Maroca!
MAROCA - Ara, si quisê quirditá bem, si num quisê, amém. Vai disimbuchano essa histora de onça, anda.
ZEFERINO - Já conto. Mais primero mi traiz uma soquinha de café que é prá módi fazê boca de pito.
MAROCA - Num tem café, não.
ZEFERINO - Cumo qui num tem? Tô té iscuitano o chêro de café fresquim.
MAROCA - Ce muntô na ispulêta, né qui não. Deve de tá vino lá da casa do Zé Bregue. Aqui num tem nem café torrado.
ZEFERINO - Tô c’uma fome.
MAROCA - Mata um homi e comi.
ZEFERINO - Ô Maroca, passa ô menu um cafezim. Qui qui custa?
MAROCA - Ah, num vem qui num tem. Qui qui custa... eu sei muito bem qui qui custa. Já, já, vô insabuá rôpa, botá pá quará e num vô bulí cum café, não. Mexê cum torradô, dispois cum água, piriga constipá. Num quero zangá meu rematismo nem pegá prumunia.
ZEFERINO - Quê quê isso, Maroca? Torra logo esse café! Inconto eu conto a histora, cê refresca. Aí ó, já tô té fazeno o pito.
MAROCA - Ih, num fica passano o canivete na paia assim não qui mi dá gastura.
ZEFERINO - Tá bão, num passu o canivete na paia, mais vai torrá o café, caminha! Tô doido módi um cafezim. Prá ficá mió, traiz tamém daquelas brôa de mii qui só ocê sabe fazê.
MAROCA - Quiquiisso? Durmiu na estaca, esfomiado? Já disse qui num tem nada.
ZEFERINO - Ô Maroca, dexa de sê ridica. Tá mi ridicano um nadiquinha de café?
MAROCA - Mais qui fragelo. Já num falei qui num tem café torrado, trumento?
ZEFERINO - Dexa de sê monte de priguiça, muié. Ajeita esse café.
MAROCA - Vai ficá cuessa latumia no pé do meu ovido té quando? Conta o qui ocê vei mi contá diacho!
ZEFERINO - Intão faiz o café.
MAROCA - Ô sacrifiço, conta logo quem qui a onça passô no chebréu, burricido!
ZEFERINO - Sem café cum broa, num conto nadinha.
MAROCA - Mais qui disgrama, sô. Num sô pai de panguço pá ficá barrotando seu buxo de bóia não sujeito. Inda mais ocê qui tem o zói maió qui a barriga qui nada chega
ZEFERINO - Eu sabia. Eu sabia. Cê tá é com ridiqueza memo. Ô intão é priguicera. É priguiça, né Maroca? Cê sempre foi um monte de bosta memo. Pôia!! Fica mornano aí, não. Age ó menos pá fazê um café.
MAROCA - Ô que giriza. Já tô é uma arara cocê, Zeferino. Num facilita não qui eu ti prego a mão nas venta. Conta logo o causo, anda!
ZEFERINO - Sem café cum brôa num tem cuma.
MAROCA - Num demora eu vô ti infiá a mão no pé do ôvido, fii duma rapariga. Num me inerva, não.
ZEFERINO - Intão num tem merenda?
MAROCA - Tem não, capeta. E conta logo o qui cocê tá pá contá. A onça cumeu quem? Cumé qui foi? Quiora? Adonde. Qui qui sobrô?
ZEFERINO - Num tem merenda de jeito manêra?
MAROCA - Não.
ZEFERINO - Tá certo, Maroca. Fica cum seu café, suas broinha. Vô minbora sua ridica. Nunca qui vô isquece essa disfeita cumigo. (Vai saindo)
MAROCA - Pur mim, já vai tarde.
ZEFERINO - Tô ino. Ói eu ino.
MAROCA - Uai, inda ta aí?
(ZEFERINO sai)
MAROCA - Zefirino, vorta qui. Vorta cá, Zeferino.
ZEFERINO - Sai um cafézim?
MAROCA - (Mordendo-se) – Diacho, vô fazê né... mais mi conta logo.
ZEFERINO - Dispois quiocê pruvidenciá café cum brôa. Caminha, dexa di inzona e vai lábutá. Inquanto isso, ieu vô fazeno o pito, passano o canivete na paia.
MAROCA - Disaforento. Inda fica mangano da minha cara.
ZEFERINO - Tá boquejano o quê Maroca? Caminha cum essa merenda, sua prasta.
MAROCA - Ai qui ingrisia! Vô tê um troço. Óia... eu tô teno um troço.
ZEFERINO - Vai tê nada, Maroca . num fica aí insapada, não. Corre cum essa merenda. Primero traiz as broinha pá módi eu i insprementano.
(Maroca busca as broinha)
MAROCA - Tama, morto de fome.
ZEFERINO - Mais essa tutaméia de brôa?
MAROCA - Cê tá pensano o quê, seu esgabilado? Num é dia de treição procê cumê arriviria não, cum poco tá achano quieu tenhum mundaréu véi de brôa p’ucê socá nas capanga.
ZEFERINO - E esse bules que tá intornano de café? Cê feiz o maió fuá pá modi num cuá café purquê num tinha nem café torrado?
MAROCA - A questã é quieu isquici qui tinha um restim de café torrado lá no muim, sô. Qué dizê, num teve nem pricisão deu muê café, modi por caus qui... ieu tinha isquicido de alembrá desse bules qui eu dexo lá no cantim, perto do pé da chaminé.
ZEFERINO - Isqueceu di alembrá, né? Isqueceu di alembrá justo dum bules que tá pricisanu té di fuero pá num supitá, isqueceu di alembrá, mintira cabiluda.
MAROCA - Gora num tem barriga mi dói. Num tem mais cumo. Já si impanturrô té falá chega. Vai, mi conta quem qui a onça passou no chebréu?
ZEFERINO - Senta Maroca, purquê cê vai ficá abismada quando eu ti dissé o nome da coitada da infiliz qui foi pará nu pandú da onça.
MAROCA - A coitada da inifiliz? Qué dizê qui foi muié?
ZEFERINO - Cê num iscutô uns grito inda gorica memo?
MAROCA - Iscutei. Intão foi aquelora?
ZEFERINO - Iocê num cunheceu di quem qui era us grito?
MAROCA - Eu pelejei pá modi mi alembrá de quem qui pudia cê, mais num ôve cumo dá conta. Num diga qui a onça cumeu u’a minha cunhicida?
ZEFERINO - E daquelas di dento di sua conzinha.
MAROCA - Pelamor di Deus, homi, quem qui a onça cumeu?
ZEFERINO - A onça cumeu a Badú.
MAROCA - (Caindo sentada) A cumá Badú?
ZEFERINO - Ieu num falei qui ocê ia cai dura de susto?
MAROCA - Meu pai do céu, num podi cê uma disgrama dessa. Logo a cumá Badú? Ô Zeferino, cumé quiocê sabe qui foi ela qui a onça cumeu?
ZEFERINO - Ieu vi, uai.
MAROCA - Cê viu?
ZEFERINO - Cum esse zói qui a terra há de cumê.
MAROCA - Mais a cumá Badú faiz um tempão qui foi lá pá cidade sariá.
ZEFERINO - Tava vortanu, né? Tava vortano. Ai a onça tocaiô ela na moita i ó, passô ela no chebréu.
MAROCA - Num quirdito qui a cumá Badú isticô as canela, num quirdito. Ela era u’a muié dananda di isperta pá virá matula de onça. Erela memo, Zeferino?
ZEFERINO - Ó ieu juro. Óia, isticá as canela ela nem teve cumo, purquê a onça bocanhô ela dum jeito tar qui só sobrô pé dento dus sapato. Ficô só nus cotôco.
MAROCA - Deus livreguardi, issu imbruiô meu estambu de tar manêra qui eu tô té quereno gumitá, tadinha da cumá Badú, né pussivi meu pai do céu, né pussive. Me conta essa disgrama tim tim por tim tim, Zeferino.
ZEFERINO - Peraí, xô inventá primero.
MAROCA - Inventá? Cê tá é mi passanu mintira, caboco?
ZEFERINO - Não, falei é qui pricisava mi alembrá primero pá modi ti contá tim tim pur Tim tim. É purquê foi uma coisa tão medonha, vê aquela onça pegano a Badú, quieu cheguei té ficá mêi bobado. O trem foi de arripiá, Maroca, Cê num magina.
MAROCA - Magino sim, Zeferino. Magino. Cum onça num si brinca (chora) Cumé qui foi, Zeferino? Me conta, cumé qui foi isso?
ZEFERINO - Ieu tinha discambado lá pás banda das furna da onça pá campiá umas brejaúva, qui indeis di onti quieu prumeti pá minina du Zé Bregue, qui num é de hoje qui ela tá murriano pur causa dumas brejaúva. Ela é uima minina mimosa dimais né, Maroca? Cumo num gosto de vê minino amuado modi u’a coisa quarqué, Saí campiano. Cê tamém é doidinha pru modi brejaúva né Maroca?
MAROCA - Sô. Mais e a onça?
ZEFERINO - Onça, qui Onça? Tô falanu di brejaúva e vem lá ocê cum onça?
MAROCA - A onça, istrume, a onça qui ocê disse inda gorica qui cumeu a cumá Badú.
ZEFERINO - Ah! ... Curuiz Maroca! Ieu mi inscunjuro só di mi alembrá daquilo. Foi duma feiúra tamanha qui num sai da minha cabeça. É ieu fexá os zói e vê a diaba da onça lá, manducano a Badú.
MAROCA - A onça num ti viu?
ZEFERINO - Viu, num viu, quer dizer, acho qui num viu. Só se feiz qui num viu e viu.
MAROCA - Qui diacho! Viu ô num viu?
ZEFERINO - Qué sabe duma coisa? Viu coisa ninhuma. Aquela onça quis dá uma di muito matrera, mais mi vê ieu garanto qui num viu. Purquê ieu tava trepado lá nas grimpa du pé de jatobá, peganu uns jatobá granduxo assim, ó.
MAROCA - E cumé cocê trepô lá?
ZEFERINO - Trepei trepano, uai. Vem cum essa de cocê nunca trepô num pé de pau?
MAROCA - É craro, né trem besta! Ieu tô te perguntando é se ocê já tava lá condo a onça vançô na cumá Badú, ô si ocê subiu pá fugi da onça?
ZEFERINO - Não! Ieu já tava lá pegano jatobá já.
MAROCA - Qui diabo de história mar cuzida. Já tava lá pegano jatobá já. Mais ocê num tava campiano num era brejaúva?
ZEFERINO - Tamém. Trepei no pé de jatobá pá inxergá mió onde tinha brejaúva. Dei cum aquelis jatobazão graúdo ansim, tudo granado, pruveitei pá intuiá o imbornal. Cê tamém gosta de jatobá, né Maroca?
MAROCA - Ah, nem! Aquele trem grudento fica pregado nus dente que é um custo pá tirá. Jatobá é comida de macaco.
ZEFERINO - Ô Maroca, cê tá mi chamano de macaco?
MAROCA - Não, mais devi di sê parentado. Só sei qui num apreceio jatobá
ZEFERINO - Puis divia. Sabia que jatobá é bão pá modi omentá a belezura?
MAROCA - Ô mintira cabiluda! Donde é que já se viu u’a coisa dessa? Jatobá omentá belezura? Só pudia tê saído dessa cabeça de prego, memo. Quê qui é isso meu fii, ieu cunheço tudo quantuá qui pode sê bão pá omentá a belezura.
ZEFERINO - Si sabi, num usa. Purquê cu’essa feiúra tudo, ô num usa, ô as coisa cocê usa devi di agi du avesso.
MAROCA - Quem disdenha qué comprá!
ZEFERINO - Comprá u’a marmota dessa? Nem pá sirvi de espantai lá na roça.
MAROCA - Ispantai lá na roça! Mais ocê num cansa de falá puraí, qui qué casá cum ieu?
ZEFERINO - É pinitença quieu tem qui pagá nesse mundo véi sem portera, muié feia, regatera
MAROCA - Dexêu te mostrá a pinitença seu cahacaço erado. (Põe um facão no pescoço dele) – Cê pensa que vai mi imbromá té na ora da janta pá podê cumê as minhas custa de novo, né? Puis vai tratano de mi contá cumé qui foi qui a onça cumeu a cumá Badú, sinão eu ti xuxo essa pexêra, te arranco a paquera, os bofe e os côco tamém.
ZEFERINO - Carma, Maroca! Carma!
MAROCA - Ieu tô carma.
ZEFERINO - Foi assim, ó...condo ieu tava lá nas grimpinha do pé de jatobá, ieu avistei a Badú qui envinha lá lonjão cum aquele jeito isprivitado e insibido dela tudo. Nisso, a matrêra da onça farejô o chêro dela e já ficô de tocaia amoitada numa macega de capim na berada do triêro. Envinha a Badú oiano pus otonte e a onça lá, ó! A Badú deu u’a paradinha e a onça lá ó! Aí a Badú oiô pá traiz, feiz qui ia vortá, mais num vortô e prussiguiu pá banda da onça qui tava lá, ó! Já passano a língua nus dente cumu quem diz: hoje eu vô tirá a barriga da miséra. E nu é qui a Badú envinha vino de fastu assim, ó, beranim a moita da onça numa pirambera, quandela, ó! Nhoc! Pulô im riba da Badu, agarrô e foi cumeno, cumeno. A coitada grito inté num podê mais. A onça cunsumiu ela tudim num impruviso.
MAROCA - Quê mais?
ZEFERINO - Quê mais qui nada, uai! Cumeu, cumeu, tá cumido. A onça intocaiô e foi durmi.
(Maroca chora e suspende a barra da saia para assoar o nariz. Zeferino arregala os olhos diante do quadro)
MAROCA - Cumé qui pode? Logo a cumá Badú? Cê já viu uma disgrama maió du qui essa, sô?
ZEFERINA - Já, já. De vaca é bem maió.
MAROCA - E purquê cê num desceu pá ispantá a onça, seu bosta? Dexá ela cumê a cumá Badú tudim assim, sem movê uma paia?
ZEFERINO - Cê besta muié. Ieu sô lá boiota de i fazê bunito nas fuça du’a bichona feroz que nem que aquela? Tava sem garrucha, nem nada. Num tem nutiça de macho qui infrentô onça só cum purrete.
MAROCA - Molóide. Cê é um monte de bosta, medroso.
ZEFERINO - Medroso, né? Quiria vê ocê nu meu lugá, ieu garantu qui já tinha burriado tudo na saia, purquê carça já vi cocê num tem custume de usá!
MAROCA - Qui cocê disse, seu relaxado?
ZEFERINO - Nada. Mais cocê té caía lá do pé de pau de medo, ah! Isso caía.
MAROCA - Caia u’a pinóia! Eu fazia era descê e ispantá a danada.
ZEFERINO - Ah é, valentona? Cumé quiocê ia fazê isso? Mi conta?
MAROCA - Fazeno, uai. Discia, passava a mão num purrete e falava: Chiba onça!
ZEFERINO - Chiba, Maroca? Cê ia falá chiba pru’a onçona pintada braba que nem que aquela? Chiba é pá ispantá cabrito, sua tonta.
MAROCA - Num quero sabê. Só sei que cagano de medo qui nem ocê fica, ieu num ia ficá não, imbustiado. Inda mais veno a onça negaciano minha cumá Badú. Antes quela desse o bote ieu carcava u’a purretada na creca dela qui ela ia si iscafedê nu capuerão.
ZEFERINO - Tô té veno. A galuda cum purrete na mão ispantano onça braba. Truco!!
MAROCA - Ah, vai tombano, palermão. Cê num vale uma picada de fumo ruim, seu prasta.
ZEFERINO - É ocê? Môi dispois da janta. Vem cum valentia agora cum as porta e as janela tramelada. E assunta só o qieu vô falá: Trata de rezá reza braba purquê aquela onça vai batê qui logo de noite. Ela tava cum cara di qui num ficô sastisfeita só cu’a Badú, não. E pelo vermêi do zói, ela gosta de cumê é muié medrosa qui nem qui ocê.
MAROCA - Tá quereno mi passá medo, é?
ZEFERINO - Ieu não, purquê cê já tá é bustiano de tanto medo. Vô inté mim imbora qui já tá a maió catinga qui. Fum! Cumeu carniça, trem?
MAROCA - Vai tratano memo de azulá daqui, iscumungado, quieu num sô de ficá prantada aturano disafôro de marmanjo impricante qui nem ocê não. E tomara qui quando ocê tive travessano a pinguela, a onça há de vim dum lado e a sombração da cumá Badú do ôto. Quero vê ocê tremê qui nem vara verde e cai de diponta no corgo.
ZEFERINO - Ara, vai pentiá macaco, sô.
MAROCA - Pentiá a sua gafurina? Nem vê! Vai ocê, cara lambida. Vai peidá n’água pá modi fazê borbôia.
ZEFERINO - Vai ocê, regaçada.
MAROCA - Abiúdo.
ZEFERINO - Iscanchelada.
MAROCA - Bolostrô
ZEFERINO - Panfunça.
MAROCA - Aqui ó! Táca procê.
(Vão se xingando até Zeferino Sair)
MAROCA - Onça braba! Que mané onça braba qui nada. Só lá muié de tê medo du’a onça sévergonha que só vévi de cumê cumade sonsa qui num óia donde anda? Cá essa miserenta num pisa. Se apontá o fucim aqui, iscadéro a buxuda cu’a mão de pilão qui ela vai vê o quê qui é bão pá tosse. Sombração da cumá Badú num há de aparecê puraqui, vô cumeçá rezá é agorica memo, pru isprito dela ficá bem incumendado. In todus caso, xô fechá tudo bem fechado bem tramelado e dexá nu jeitu a mão de pilão. Quarqué coisa, ó! Tama danada!
(Maroca anda preocupada conferindo portas e janelas e mão de pilão)
MAROCA - Vô rezá pá cumá Badú, tadinha. Cumé qui pode u’a coisa dessa, minha cumadi cumida? Tem dó dela, pai do céu. Ranja um cantim no jeito prelaí. Elera mei mitida a sabichona, mei serelepe, sirigaita, introna, mei futriquera, intipática, inredera, mei pidona, mei pinguça, mais era boa bisca isso era. Num bate a porta do céu nas fuça dela não, viu? Purquê sinão ela vorta cumo arma penada pá maliná cum a gente que só qué paiz e sussego. Por isso, vô rezá injueiada aqui nus pedregui mili trezentas Ave Maria e quinhentos Padre Nosso, trezentas Sarve Rainha e duzentos Creindeuspai. E pruveitano essa rezaiada tudo, vê se dá um jeito de mandá a carnicenta dessa onça prus quinto dus inferno, purqui sinão eu num prego as pestana a noite intirinha.
(Ajoelha-se e reza. Luz se apaga. Ao acender Maroca está durmindo. Som de ventania. Uivo de lobo. Esturro de onça.)
MAROCA - (Acordando num salto) – Chiba onça! Xô! Passa! Sai! Chipi! Num me papa não, pelamore! Nem pruveitei a vida, num casei, nem bulinei cum macho. Tem dó dessa coitada qui nunca nem brincô de casinha, nem feiz bobage cum minino homi. Aiiii! (Acorda) – Ai, a valença quiera sonho. Qui apuro quieu passei, sô! A bocuda já ia mi passano no chebréu!... A disgrama é quieu tô na maió vontade de obrá, de mijá, tudo junto. Ai, meu São Bedêgo das perna torta, valei-me nessa hora de aperto. Deix’eu pegá o pinico...
(Procura com a mão o penico debaixo da cama)
MAROCA - ô disgrama, isquici o pinico lá na bica.
(Fica agoniada com o aperto)
- Só se eu fazê o sirviço aqui memo no chão. Mais minha mãe sempre falô que cagá dento de casa dá cobrero no rabió. Icha, tá apertano mais cada vêiz. Se num dé u pira vai sê um disguverno aqui memo. Purquê fui fazê a privada lá nus cafundó?...Qué sabê? O jeito é infrentá o iscuridéu cu’a lamparina memo. Xô levá essa mão de pilão prus causu de topá cu’a iscumungada.
(Maroca vem caminhando com a lamparina e a mão de pilão. Anda com dificuldade por causa do aperto)
MAROCA - Tá o maió brêu, meu pai do céu.
(Badú aparece do outro lado toda desarrumada e suja)
BADÚ - (Abrindo os braços) Cumá Maroca, decá um abraço bem arroxado.
(Maroca estaca. Deixa a lamparina cair e a mão de pilão. Caga-se toda)
MAROCA - Cú Cú Cú Cú
BADÚ - Qui quê isso, muié? Issu é jeito de mi sordá? Falano bobajada?
MAROCA - Cú Cú Cumá Badú?!
BADÙ - De memo. Im carne e osso (Badú vai abraçá-la)
MAROCA - Jesuis Maria Jusé, valei-me nesse vale de lágrima. Dá sussêgo pressa arma penada. Levela de vorta pu céu.
(Maroca desanda a rezar. Badú pega em seus braços. Maroca grita. Badú a sacode)
BADÚ - Qui berrêro é esse, muié? Fecha essa matraca véia. É ieu, Badú.
MAROCA - Num me leva não, Cumá Badú, pelamore!!! A Tuíca vai pruduzi leitãozinho prêsses dia e tá pricisada muito diêu. Tem tamém o garrote da Maiada cum bichêra. A galinha Chiquita pode impistiá. As criação tudo não vévi sem iêu pá módi tratá désa. Num mi leva não, pelamore, num me leva não.
BADÚ - Ô Cumá Maroca, cê só vai se quisé.
MAROCA - Puis intão num quero, num quero de jeito manera ninhuma. Vorta sombração, pira daqui, purquê daqui eu num arredo pé. Levá cê num mi leva não.
BADÚ - Tá bão criatura, num qué í pá cidade num vai, mais pur tudo quantu há di mais sagrado, pára cu’esse fuá e mi fala ó menus banoite.
MAROCA - Falô cidade? I arma penada leva agente é pá cidade?
BADÚ - Arma penada? Qui Mané arma penada? Ô meu pai, minha cumá Maroca indoidô de vera, num tá falano coisa cum coisa. Pelo jeito num tá atinano nem pá tirá as rôpa pá fazê as necessidade. Fum!... Qui pisero! Cagô nas carça tudo, tadinha!
MAROCA - Cê num morreu?
BADÚ - Qui morrê qui nada. Só tô um poquim ismulambada de tanto muê saroba pirdida nesse capuerão.
MAROCA - Mais a onça num ti passô no chebréu? O Zeferino viu a onça ti cumeno tudim lá nas furna qui só dexô os cotôco dus pé dento du sapato.
BADÚ - Ô mintira iscalavrada!
MAROCA - Num é mintira não, o Zeferino viu...
BADÚ - O Zeferino intão ti passô a maió mintira, aquele disgranhento . Cumé quiocê foi caí nu’a isparrela dessa?
MAROCA - Intão cê num tá mortinha cumida no buxo da onça?
BADÚ - Tô intirinha, ói sô! Pode inté dá um pinicão.
(Maroca belisca-a)
BADÚ - Ai.... tamém num pricisa rancá pedaço.
MAROCA - Aquele fii du’a égua mi paga. Vô tirá a forra no lombo dele. Dexêle vim cum aquela cara lambida pá modi mi inchê as paciença quieu prego a mão nas venta dele.
BADÚ - Puis intão, muié. Tô qui mais viva du qui nunca. Vem cá, mi dá um abraço pá mata sodade.
MAROCA - Peraí, Cumadi, gora não. Vô tê qui mi lavá ali na bica. Tô toda cagada.
BADÚ - Isso tudo foi medo deu morta?
MAROCA - Nada. Num sô muié di tê medo. Ieu tô disandada dus intistino, Tô tombano vassôra pur causa duns torremo remôso quieu cumi ontonte.
BADÚ - Vô lá cocê. Tô qui nem picum. Os pé tá chei de macuco, qui pá dá cabo vô tê que cunssumi u’a muntuera de buxa inté tirá o godó. Andei di déu im déu pirdida nesse capuerão aí tudim caçano o triero qui dá aqui. Fui pará lá nu brejo do rabiabode. Foi um custo topá um cristão pá mi insiná o rumo. Fui apiá da jardinêra lá du ôto lado quiêu tô sem custume de andá, mi istrepêi.
MAROCA - Caminha (Badú vai saindo rápido) Cumá Badú, vamu ino divagazim qui tem um lugá iscurreguento logalí.
(Maroca passa por Badú)
BADÚ - Mais qui fedô, cumadi!
MAROCA - Quem vê ansim, pensa qui num caga.
(Afastam-se. Sons noturnos da roça. Fecha-se a luz e reabre em Maroca e Badú dentro de casa)
MAROCA - Mais ocê ismagreceu dum tanto, hem muié, tá um fiapo! Lá na cidade num tinha o qui cumê não?
BADÚ - Ara cumadi, a magreza é di natureza. Cê sabe quieu sempre tivi pôco pititi. Nunca fui di cumê muito.
MAROCA - É, ó menu esse defeito de isganação cê num tem.
BADÚ -Óia a mulambêra qui viro a rôpa quiêu tava onti, chêi di carrapicho, barrela. Num tem mais sirvintia u’a coisa dessa.
MAROCA - Ieu incabulo cumé quiocê deu conta de ficá pirdida num lugá qui ocê cunheci de cor e sartiado.
BADÚ - É qui a cidade virô minha cabeça, cumadi. Quando apiei no capuerão fiquei qui nem barata tonta. Num sabia si lá era cá, si cá era qui ô aculá.
MAROCA - Nessa disgrama di cidade intão é quieu num trisco o pé. Cê besta, í num lugá que faiz agente perdê o rumo, Sô. Num vô não.
BADÚ - Tamém sô mei avuada. Isqueço dipressa dimais das coisa. E sei qui num sô muié qui vêi no mundo pá levá vida de rocêra.(Com desdém) Decorá triêro no capuerão!. Vim no mundo memo foi pá morá lá na cidade, isso é qui foi, caminhá naquelas rua ferveno de gente. Iscutá musga na rádia, vê novela de televisão. Cê já iscutô rádia, né?
MAROCA - Aquele caxote faladô? Iscutei, sim. Lá nu Zé Bregué tem um qui fala e canta o dia intirim, quieu num sei cumu num fica rôco um trem daquele. Ieu é qui num sô doida de ispirdiçá nem um mirréis cum troço daquele só pá ficá zuano nu pé du meu ôvido. Mais é di jeito manera ninhu’ª
BADÚ - Mais aquele rádio do Zé Bregue é um tramboião véi...
MAROCA - É não Cumá Badú
BADÚ - É sim
MAROCA - É não
BADÚ - É sim. Lá na cidade tem uns rádio piquititim assim, ó, cocê podi inté carregá na gibera.
MAROCA - Di Vera? I vai falano na gibera do memu jeitu?
BADÚ - In corqué lugá. É só ligá.
MAROCA - Ah! Credo. Já tomaro o lugá do papagaio no mundo.
BADÚ - Isso é puquê cê num viu televisão. Cê vai abismá.
MAROCA - Cumé qui é?
BADÚ - É du tipo dum caxote tamém. Só qui fica passano gente, otomóvi, tudo quantuá lá no quadrado qui tem.
MAROCA - Cumu passano?
BADÚ - Cumé quieu vô ti ispricá? Ah! É iguar cê ficá oiano pum caxote, assim ó... um caxote assim...aí fica aparaceno gente falano, abraçano, bejano unzônzoto na boca e inté....
(Badú cochicha algo com Maroca)
MAROCA - Inté!?
BADÚ - É. I tem u’a tar de novela quiocê num querdita. Cada coisa.
MAROCA - I Ocê fica oiano essas senvergonhera tudo?
BADÚ - Todo mundo óia. Mininada cresce oiano isso.
MAROCA - É o fim du mundo, uaí!?
BADÚ - Né nada. Garanto cocê tamém vai gostá. Todo mundo gosta. I óia, cê pode té parecê nesse caxote e ganhá muito dinhero.
MAROCA - Tá doida muié? Quero distança dessas doidera di cidade. Num tem nada qui cherá lá.
BADÚ - Cidade é iguar jabuticaba. Quanto mais a gente porva, mais a gente qué.
MAROCA - É. Mais podi incaiá.
BADÚ - Cidade é bão dimais. Lá a gente é.... como ser ôta!
MAROCA - Eco! Lá cê comi serôto? I pricisa í pá cidade pá cumê serôto, porcaiona? Comi serôto aqui memo. É só iscrafunchá as venta.
BADÚ - Ah, num faiz de isquerda, cumadi. Cê sabe muito bem quieu tô quereno dizê, qui lá na cidade é dota manera. A gente fica assim mais ... mais...
MAROCA - Mais insibida?
BADÚ - Não!
MAROCA - Mais sirigaita?
BADÚ - Mais ocê, hem cumadi? Num perdi u’a de iscrachá cum agente.
MAROCA - Ocê num vai querê quieu querditi qui lá na cidade, ocê num é a mema Cumá Badú insibida i ispiculante quieu cunheço.
BADÚ - Ocê qui num sabe. Muita gente lá na cidade nem mi chama de Badú. Mi chama é de Bels Cate!
MAROCA - Tá bão, Bels Cate. Pá riba dieu? Tama brii nessa cara di vaca, sô. Ó, esse povo da cidade fica é mangano da sua matutage.
BADÚ - Hum! Inveja quando num mata, aleja.
MAROCA - Inveja de sê chamada de Bels Cate? Dêxa de sê bocoió!
BADÚ - Ocê num imenda di vida memo, né Cumá Maroca? Entra ano e sai ano, continua no memo azedume. Isso é farta sabe di quê?
MAROCA - Di quê?
BADÚ - Sabe di quê?
MAROCA - Di quê?
BADÚ - Di homi.
MAROCA - (Dando um salto) Num vem não. Num vem quieu num sô rapariga, cadela, muié da vida, sévergonha qui vévi trepano nas parede pá modi tê machu. Sô dereita. Dereita.
BADÚ - Pronto. Gora ieu vi. Num sei purquê fui falá im praga de homi.
MAROCA - Num sô sirigaita de inrabichá im macho, não. I óia qui tem muito zói grelado mi negaciano puraí. Homi, homi, homi... tô nem aí... homi...
BADÚ -Vamu dismudá di assunto
MAROCA - É mio memo, muito mió.
BADÚ - Cumá Maroca, óia o quieu truche prucê vê cumu qui lá na cidade tem uns trem danado de ispiciar. (Tira um binóculo da mala) Ispia só isso.
MAROCA - Num quero vê nada, não.
BADÚ - Óia pu cê vê, Sô.
MAROCA - Mi laiga, vai
BADÚ - Ispia, Cumá Maroca!
MAROCA - É um filipi? Filipi di quê? Qui diabo é isso?
BADÚ - É du tipo dum ocro pá ispiá lá lonjão, assim ó! (Demonstra) Chama Bi-nó-cru.
MAROCA - Chovê! (Pega e olha para a platéia) Nossa!! Qui chusma di gente!
BADÚ - Óia lá diante!
MAROCA - Credo! O Zé Bregue invadiu minhas terra? Tá qui beranim, beranim. (Tira o binóculo) Uái, qui trem besta, sô. Chovê travêis. (Olha ao contrário) Ih, gora ficô tudo nu’a lonjura qui só veno.
BADÚ - (Arrumando) Tá errado, é assim, ó!
(Maroca olhando e se divertindo)
MAROCA - Óia o marruco tretano cu’a nuvia. Êpa, é o Zeferino lá no corgo. Tá desceno as carça.
BADÚ - (Interessada) O quê?
MAROCA - Ficô peleco, curuis! Que quié aquilo balangano no mêi das perna?
BADÚ - (Ansiosa) Aquilo o quê? Mêi das perna?
MAROCA - (Abrindo a boca) Óia, Óia, põe sintido!
BADÚ - (Tomando o binóculo) Cadê? Cadê? Chovê (Localiza) Tende piedade de nóis. O diabo é um jumento.
MAROCA - Num quirdito nu qui vi! Chovê di novo.
BADÚ - Peraí. Ele tá insabuano.
MAROCA - Insabuano o quê?
BADÚ - O trem. O trem tá coisano.
MAROCA - O quê? Tá coisano o quê?
BADÚ - O trem, sô,cuméquichama!?! Tá inchano e isticano.
MAROCA - O quê?
BADÚ - O trem sô.
MAROCA - Ah, não! Chovê isso travêis. Cumé qui podi?
BADÚ - Dá cabra e não dá bode. Dêxa quieu vô ti contano o quieu tô inchergano.
MAROCA - Qui mané contano. Quero vê si não num quirdito. Decá.
BADÚ - Peraí.
MAROCA - Decá esse ócru inredero.
(Se atracam pelo binóculo. Maroca pega)
BADÚ - Assanhada! O binócru é meu.
MAROCA - Cadê o corgo? Cadê o corgo? Alá... ô disgrama, o jumento já botô as carça.
BADÚ - Bem feito. Quem mandô cê isganada módi macho peleco.
MAROCA - Num é prucausa disso. É quieu fiquei abismada cu’aquilo. Fico incabulada cu’esses trem doido.
BADÚ - Abismada? Incabulada? Tô veno.
MAROCA - Ê, minha fia. Num sô nuvia viciada qui nem ocê não. Ieu tem cumpustura! Cumpustura!
BADÚ - Mais quase qui trepô nas parede só di vê o pinguelão do ôto balangano.
MAROCA - Pó pará! Pó Pará, sua intojada!
BADÚ -Tá bão! Tá bão! Mais cá prá nois, esse Zeferino hem? Cu’aquela cara di boi sonso! Quindiria!
MAROCA - Só di imaginá o pirigo quieu vem correno minha vida intirinha, mi dá inté suadera.
BADÚ - É memo um pirigão! Té mais. É um prigãozão zão zão. Dá suadera é poco.
MAROCA - Num amola. Num Tõ di graça, não. Indesdi onti quieu tô tiririca cum a mintira qui aquele disgranhento me pregô. Ele mi paga.
BADÚ - Que cocê tá di carco fazê?
MAROCA - Tô qui matutano. Dexistá.
BADÚ - Quê cocê achá da gente incantuá ele e passa o maió carão?
MAROCA - Disso num há duda. Mais tem qui sê dum jeito prêle si imendá de veiz.
BADÚ - Iscuta só. Acho qui tem um jeito bão de fazê ele pagá. Vem cá prêu ti ispricá. (Confabulam)
(A luz apaga e reacende. Badú sentada. Maroca catando algodão na peneira)
CANTANDO - Ai Sucena, ai Suceninha
A herança qui dexô minha madrinha.
Mi dexô u’a égua véia
I tamém u’a pudrinha
Mi dexô um galo veio
I tamém u’a galinha
Mi dexô um mandiocar
I treis quarto de farinha
Ai sucena, ai Suceninha
A herança qui dexô minha madrinha
Morreu minha égua véia
Deu bichera na pudrinha
Gavião pegô o galo
I deu peste na galinha
Porco deu nu mandiocar
Deu caruncho na farinha
Ai Sucena, ai Suceninha
Acabô-se a herancinha
MAROCA - Essa herancinha é di amargá hem, sô!?
BADÚ - Êta cumadi, si ocê dexasse di sê temosa e mi desse ovido, ia correno cumigo lá pá cidade ganhá muito dinhero, cantano essa herancinha nos xô das caipirada. Povaréu da cidade apricia essas coisa dimais pur lá. Tem caipira ino inté pus istranjero e ficano rico qui num tem mais onde socá os cobre só di si mostrá nos xô.
BADÚ - Tá bão, num tá mais aqui quem falô. Pur coquè decá um’a paia, cê arma um pampero sem tamanho, adoido!
(Ouve-se um assovio)
BADÚ - Envem um cantano e subiano puraí.
MAROCA - I essa canturia, esse subiado é du Zeferino. Corre iscondê , Cumá Badú, pá gente podê fazê aquilo.
(Badú sai depressa. Maroca se prepara. Zeferino entra)
ZEFERINO - Tarde, Maroca!
MAROCA - Tarde, Zeferino. Cumé qui vai?
ZEFERINO - Tô ino, né? Qui novidade é essa? Cu’as porta e janela tudo iscancarada. Cê num é disso! Véve incroada qui dento cum tudo tramelado.
MAROCA - Nada! Vamo entrano, Zeferino.
ZEFERINO - Uai, ieu tô môco ô iscutei de memo ocê chamano pá entra?
MAROCA - Dêxa di indaca, sô. Vai entrano e sentano pá nóis levá uns dedim di prosa.
ZEFERINO - Num tô falano/ Aí tem coisa! Tô cismado quisso! Tô cu’a purga atraiz da orêia.
MAROCA - Tá urdino o quê, sujeito? Senta e conta o causo da onça travêis.
ZEFERINO - Inda tá alembrada?
MAROCA - Cuma quieu pudia isquecê se a Cumá Badú levô a breca nessa?
ZEFERINO - É memo! Treim fei aquilo. I cumé cocê passo a noite?
MAROCA - Conformei, né? Ôto jeito num há a num sê conformá.
ZEFERINO - É. Poizé.
MAROCA - Vai, mi conta travêis.
ZEFERINO - Ah, não. Travêis não. Num é bão ficá remueno um treim medonho daquele não, Maroca.
MAROCA - Reméda cumé qui a Cumá Badú envinha e cumé que a onça bocô ela. Reméda ezaí.
ZEFERINO - Ocê diz préu remedá fazeno di conta iguar qui nem qui foi, cum pulo e tudo?
MAROCA - É, reméda!
(Zeferino faz a maior mis-em-scéne. Pulando e urrando)
MAROCA - Mais o treim foi danado de fêi, heim sô?
ZEFERINO - Pois é, foi assim, desse jeitim, sem tirá nem pô.
MAROCA - E a onça cumeu a Cumá Badú tudim?
ZEFERINO - Tudim, tudim, tudim.
MAROCA - Num dexô nenhum finarisquim pá contá o causo?
ZEFERINO - Nadica de nada. Nunhum pingo.
MAROCA - Cê jura cumu tem Deus no céu qui a onça cumeu memo a Cumá Badú?
ZEFEERINO - E tem pricisão de jurá?
MAROCA - Jura qui a Cumá Badú tá mortinha cumida no bucho da onça?
ZEFERINO - Juro purêsse sór qui mi alumêia.
MAROCA - Num tem sór ti alumiano não, carudo; Cê tá na sombra. Jura assim, ó: Se fô mintira qui a onça cumeu a Cumá Badú, ieu como uma pratarrada de bosta.
ZEFERINO - Quê quê isso, muié?
MAROCA - Jura ô num jura?
ZEFERINO - Ju.. juro.
MAROCA - Intão jura, vai: Si fô mintira qui a onça cumeu a Cumá Badú, como uma pratarrada de bosta.
ZEFERINO - Num sei prá quê um juramento porcaião desse. Mais vai lá;
MAROCA - Jura logo, sô. Ô qué ficá cum fama de mintiroso? Arrepete: Si fô mintira eu como uma pratarrada de bosta.
ZEFERINO - Si fô mintira, eu... eu...
MAROCA - Como uma pratarrada de bosta.
ZEFERINO - (Depressa e enrolando) Como uma pratarrada de bosta.
MAROCA - Quê? Fala direito qui num deu pá iscuitá.
ZEFERINO - (Gritando) Como uma pratarrada de bosta.
MAROCA - Ah, bão! Ô Cumá Badú traiz a merenda do Zeferino quêle tá esfomiado.
(Badú entra com um prato cheio. Zeferino fica boquiaberto)
BADÚ - Quê colidade ocê aprecêia, Zeferino? De gente, de vaca, ô de porco?
MAROCA - Ieu acho que ele aprecêia tudo conto é colidade, Cumá Badú. Zeferino é bão de garfo, né Zé?
ZEFERINO - Quê qui aconteceu, meu pai? Fiquei ceguim, ceguim. Num tô veno nada.
MAROCA - Ceguim, ceguim, né? Cê topa, cabôco. Hoje ocê imenda de vida.
ZEFERINO - Tô surdim, surdim tamém. Tô iscutano nada. Tá tudo iscuro e zunino.
MAROCA - Ceguim e surdim, né? Intão vai pricisá du’a mãozinha pá merendá. Decá esse prato de bosta, Cumá Badú.
(Maroca pega o prato e enfia na cara de Zeferino. Escurece. Ao reacender, Badú olha aflita pelo binóculo, as lonjuras. Maroca cata algodão)
MAROCA - Quê cocê isbiúta tanto nesse ócru de vê lonjão, muié? Já tá uma era prantada aí. Tá caçano chifre im cabeça de égua?
BADÚ - Num tô veno aquele corgo.
MAROCA - E o quê qui ocê qué cum corgo?
BADÚ - Ah! Ieu quero dá uma ispiada lá, pá vê as tabôa que dá na bêra. Acho tabôa um treim tão bunito. Faiz um tempão qui num vejo tobôa. Vem cá Cumá Maroca, Tabôa é fulô ô o quê qui é?
BADÚ - É ispicula! Danada de muié ispiculante! Ieu sei a tabôa cocê tanto prucura. É aquela qui tá incuída no mêi das perna do Zeferino, né? Ô tabôona!
BADÚ - Nem tava alembrano disso criatura e vem ocê cu’essa pataquara?
MAROCA - Dô minha cara a tapa se ocê num tá quereno é vê o Zeferino insaboano lá no corgo, dô minha cara a tapa.
BADÚ - Tá bão. I si fô? Num é du seu nariz.
MAROCA - Toma vergonha na cara, ô disbriada!
BADÚ - Alá o Zeferino. Tá vino prá cá. Vô pruveitá prá chama ele prá nois i prá cidade.
MAROCA - O que?
BADÚ - Já num ti falei qui lá na cidade o povo tá pagano os zói da cara pavê caipirada? Puis intão, o Zeferino é bão de prosa, ieu sô boa de canturia. Boba docê qui num qué i tamém.
MAROCA - Cê Tá quereno qui eu querdite que na cidade o povo vai ficá pagano prá vê essa sua sengracera com canturia e ainda dá ôvido pus causo disimxabido do Zeferino? Num vão achá graça nem fazeno cosca no subaco.
BADÚ - Puis eu vô chamá ele é já. Xô passa um xêro no cangote. (Sai)
MAROCA - Levá o Zeferino pá cidade prêle contá os causo dêle lá? Mais nem vê. I quem é qui vai mi inchê as paciença cum aquesa histora mau urdida dêle? Dexá leva ele pá cidade? Mais nem vê. Ruim cum ele, pió sem ele. Vô é caçá um jeito de istrumá os tíu pá riba dessa introna da Cumá Badú préla caçá ôto rumo.
(Zeferino entra)
ZEFERINO - Bôa!
MAROCA - Bôa, Zeferino! Bamo entrano.
ZEFERINO - Ieu ia passano, vi as porta aberta e arresorvi dá um pulim aqui pá sabê nutiça. Comé cocêis tão?
MAROCA - Bamo ino...Comequié? Tem topado muita onça cumedeira de gente?
ZEFERINO - Onça? Qui onça?
MAROCA - Num é ocê qui é danado pavê onça cumeno gente?
ZEFERINO - Nada. Vêis ô ôta, só. Coisa pôca, quais nada. Bendizê nadica di nada. Mais mudano de pau pá cacête, cadê a Badú?
MAROCA - A Cumá Badú vortô pá cidade...
ZEFERINO - (Aparecendo) Tô qui Zeferino. Quiria memo prusiá cocê.
ZEFERINO - Di memo? I corquié o assunto?
BADÚ - Qué ganhá dinhero inté injuá?
ZEFERINO - I tem cumu injuá disso?
BADÚ - Sentaqui prêu ti ispricá.
(Zeferino se senta no banco com Badú. Maroca senta entre eles)
MAROCA - Dexêu assuntá essa prosa tamém.
BADÚ - Ô cunha! Sai prá lá. Num vê qui num cabe mais ninguém nesse banco? Vai aprocá esse bundão lá no mato.
MAROCA - O banco é meu, a casa é minha, ieu sento adonde eu quisé.
BADÚ - Intão reganha aí nesse banco. Come essa disgrama. Ingole!
ZEFERINO - Quê quê isso muiezada? Ô Badú, vamo dá um dervortêio. Bamo prusiá lá na bêra do corgo. É inté mió.
MAROCA - Bêra do corgo? Quê isso pessoar? Pode ficá à vontade! Tava era brincano. Ocêis pode prusiá aqui, inté! iêu vô passá um cafezim fresquim. Vô num pé e vorto nôto.
(Maroca sai)
ZEFERINO - Só pode sê milagre. A Maroca di prontidão ofereceno café fresquim?
BADÚ - Ah, dêxéla prá lá! Iscuta só: Quê cocê caha da gente apiá lá na cidade e ganhá dinhêro inté istufá as capanga e amarrá cum imbira?
(Maroca na cozinha passa o café)
MAROCA - Inviçunera dessa Badú. Só sabe cupiá moda. Vai ficá trumentano inté virá a cabeça do pangó. Mais ela topa. Vô fazê um feitiço brabo qui ele num vai arredá o pé da barra da minha saia. (Passa o café) Gora vô passa um cafezim ispicial pro Zeferino. Esse café qui minha madrinha Cilistina mi insinou é tiriqueda. (Tira a calcinha e passa o café nela) Ele num vai nem querê sabê de cidade. Prontim, xô levá prêse.
(Badú e Zeferino na sala. Ele se levanta)
ZEFERINO - Já té invô prá casa rumá as trôxa, Badú. Condé qui a gente dá no pé?
BADÚ - Hoje memo. Tô qui ti isperano.
MAROCA - (Entrando) Oi o cafezim.
ZEFERINO - I a Maroca num vai tamém?
BADÚ - Cumá Maroca é do ovo virado. Num põe sintido em nada ca gente dala. Acha qui é tudo pataquara. Nóis duas pudia agradá e muito pur lá cantano a herancinha, fiano e cardano argodão. Cansei de falá prela, mais ela nem tchum, entra num ovido e sai nôto.
MAROCA - Num sô de ficá insibino pá gente tonta da cidade. Tem mais o qui fazê
BADÚ - Num cabêi de falá?
MAROCA - (Distribuindo o café) Tama o seu, Badú. Essa caneca é sua Zeferino. Fiz cum muito capricho procêis.
(Ouve-se barulho de porcos no chiqueiro)
BADÚ - Qui baruiada é essa?
ZEFERINO - É lá no chiquero.
MAROCA - Minha nossa! Os cachaço deve tá incantuano a tuíca. A coitada tá mojano. Xô corre lá.
(Maroca sai correndo)
BADÚ - Curuis, oi o mijico de café quela mi deu.
ZEFERINO - I óia a canecada qui sobrô prá mim? Tama. Vamo breganhá as caneca qui hoje ieu já dei u’a incharcada de café lá no Zé Bregue qui meu istambo tá té rivirado. (Trocam as canecas)
BADÚ - Decá qui café faiz passá a fome. Hoje num bilisquei nada ainda. Meu istambo tá rivirado é de fome. Cumá Maroca num feiz armoço, nem nada inté agora. Parece qui tem medo di sujá panela.
(Tomam o café)
BADÚ - (Estranhando) Diacho de café cum gosto de bacaiau. Será qui é minha boca?
ZEFERINO - Vai vê qui é purquê cê tá di istambo vazii.
BADÚ - (Bebendo de novo) Ah, não! É bacaiau memo, e daquêse cumeçano pudrecê.
ZEFERINO - Ieu num sinti nada nu meu. Cumpôco é a caneca qui tá suja de bacaiau.
BADÚ - Só pode sê. Vô bebê mais não.
(Abandonam as canecas. Maroca entra)
MAROCA - Era a tuíca memo. A coitada tá apurada cum aquele barrigão qui num acha jeito nem di deitá, foi passá imbaxo da cerca, ficô ingastaiada.
BADÚ - (Enfeitiçada) Cumá Maroca! Cê demorô tanto lá no chiquero
MAROCA - Demorei nada, fui dipressinha.
BADÚ - Demorô sim, quieu tava im tempo de morrê de sodade. Ocê é tão mimosa, cumadinha do meu coração. Óia esses zóim qui mais parece dois tucum madurim, madurim. Ai, e esse cabelo maciim de buneca de mii, tão gososo de pegá assim inté drumecê a mão.
MAROCA - Ê, sai prá lá treim. Gora deu pá mi adulá atrôco di quê?
BADÚ - Cumu cocê é bunitinha, Cumá Maroca. Dexêu ti abraçá.
MAROCA - Mi sorta, melêta. Tá variano?
BADÚ - Tama u’a bicotinha nessa buchechinha.
MAROCA - Mi larga trumento! Quê cocê viu?
ZEFERINO - Mais ocêis cumbina memo, heim muiézada? Num sabia cocêis era tão pregada u’a ca ôta.
MAROCA - Ô Zeferino, ocê num tem nada pá falá dus meus zói?
ZEFERIBO - Chovê. Ah, tem u’a reméla aqui no cantim.
MAROCA - Não, òia direito. Òia o meu surriso. Quê cocê acha?
ZEFERINO - Acho cocê cumeu feijão e num iscovô os dente, ói o pedacim de feijão aqui no dente da frente
MAROCA - Icha! Uai, sô. O treim faiô? Num pode. Receita da minha madrinha Cilistrina num é de faiá. (Volta-se para Zeferino) Ô Zeferino, óia bem prêu, quê cocê tá sintino?
ZEFERINO - Tô sintino u’a vontade danada sabe de quê?
MAROCA - De quê?
ZEFERINO - De cagá. Xô corrê na privada.
MAROCA - Cê tomô o café quieu ti truche?
ZEFERINO - Tá nu bucho. Peraí quieu já vorto.
(Zeferino sai. Maroca fica sem entender)
MAROCA - Cadê as caneca?
BADÚ -Tá qui meu benzim. Num dei conta de tomá tudo purquê a caneca tava cum gosto orrivi de bacaiau. Cê guardo bacaiau nessa caneca, meu morzim?
MAROCA - Aném!... Foi ocê qui tomô o café dessa caneca?
BADÚ - O Zeferino breganhô cumigo purquê quiria só um tiquinzim.
MAROCA - Ai meu São Bedego das perna torta, intão é pur causa disso qui ocê tá nessa pregança? Qui quieu faço?
BADÚ - Num faiz nada minha fulÔ di goiaba. Dêxa quieu faço tudim procê. Mi dá u’a bicota, mi dá?
MAROCA - Sai prá lá Berzebú, tira essas mão gosmenta de riba deu. Vô prucurá a Tonha macumbera prá dismanchá esse feitiço. Adoido sô, dei cus burro n’água.
Fim
REDE COMUNITÁRIA DE COMUNICAÇÃO
ESCOLA DE EXPRESSÃO E COMUNICAÇÃO COMUNITÁRIA
RedeCCom AGÊNCIA ECCom
1. Apresentação
Rede Comunitária de Comunicação/Escola de Expressão e Comunicação Comunitária
A Rede Comunitária de Comunicação é uma iniciativa de mais de uma centena de produtores da cena do audiovisual de todo o país cuja característica mais marcante é a forte relação da sua produção com as necessidades e a agenda dos movimentos populares e das comunidades locais, vitimadas pelo apartheid da Informação e das Comunicações.
A Rede Comunitária de Comunicação, primeiro, organizou-se como Rede Comunitária de Produção Audiovisual dos Pontos de Cultura para prover conteúdos atuais e representativos da realidade brasileira, atendendo a execução do plano de trabalho do convênio assinado com o Ministério da Cultura no âmbito do Programa Cultura Viva, gerando programas para serem exibidos na programação da TV Nacional Canal 2 Brasília e da NBR, o canal do governo federal(Acordo de Cooperação Radiobrás/MinC). Um programa semanal integrou as grades destes canais por 12. Meses nos anos de 2006/2007, e nesse tempo foram exibidas 43 produções. A Rede atendeu a mais de 120 produtoras e a retirada desse programa da grade da TV Nacional e NBR, frustrou as expectativas colocadas nessa parceria importantíssima. A Rede, no entanto, continuou a dar passos no sentido de construir uma articulação sólida dos grupos produtores, respeitando a sua diversidade para que mantenham e aprofundem suas relações comunitárias, mas reforçando a sua integração com ações e projetos nacionais capazes de fortalecer e expandir a produção e a distribuição audiovisual autenticamente COMUNITÁRIA.
Um viés importante, que não pode ser secundarizado, foi garantir que essa produção autenticamente COMUNITÁRIA fosse realizada com recursos já existentes ou com recursos criados pelas próprias comunidades, garantindo às respectivas comunidades locais o controle político da sua informação, através do olhar "particular" dos produtores locais, e o controle econômico do resultado, através do emprego e da geração de recursos locais para sustentar essa produção. Há um compromisso político para transformar esse viés, que foi fruto do voluntarismo e da radicalidade precursores da constituição da Rede, num princípio observado estritamente pela Rede e pelas produtoras integrantes.
Na Rede, a criação da TV Pública despertou novas expectativas e há um entendimento de que a justificação política e o sentido ético dessa iniciativa, apresentada pelo governo como um marco da democratização da informação e das comunicações, dependem essencialmente da maneira pela qual a TV Pública recepcionará e apoiará a produção audiovisual COMUNITÁRIA e como dispensará solidariedade concreta ao segmento da Comunicação COMUNITÁRIA no debate estético e mercadológico acirrado pela própria emergência da TV Pública. A TV Pública espera-se vai acolher as escolhas estéticas distintivas da Comunicação COMUNITÁRIA e reservará o espaço de exibição necessário para torná-las compreensíveis para o seu público. Portanto, a Rede vê a TV Pública como um empreendimento pedagógico que amplie os horizontes estéticos e políticos dos produtores e do público que assiste essa produção.
Há, portanto, na Rede, mais do que expectativas difusas em relação à TV Pública. Há um querer concreto das produtoras participantes de produzir e de ver essa sua produção sendo apresentada com destaque na TV Pública. Para realizar esse "querer" a Rede está trabalhando para superar os problemas comuns ao segmento da Comunicação COMUNITÁRIA, originados na carência geral de recursos e nas decorrentes dependência e falta de autonomia relativamente a eventuais apoiadores que venham a suprir essas carências. Presentemente, o foco desse trabalho é ampliar e reforçar a qualidade técnica e melhorar as práticas de gestão das produtoras. O objetivo é fazer com que todas as produtoras da Rede alcancem padrões mínimos de qualidade técnica e adotem práticas de gestão uniformes. Essa padronização e uniformização é necessária porque a Rede, além do Convênio de Produção e Exibição com a TV Pública, cujo essencial já foi explanado, almeja usar, prioritariamente, programas federais para alcançar esses objetivos.
Com o objetivo de ampliar e reforçar a qualidade técnica das produtoras, a Rede Comunitária de Comunicação apresenta o seu Plano Nacional de Qualificação com a criação da Escola de Comunicação e Expressão Comunitária, elaborando projeto específico para atender editais de Programas Federais de qualificação e geração de emprego e renda, promovendo também interdisciplinaridade/transversalidade na integração de programas governamentais que tenham jovens como protagonistas.
O projeto é para formar jovens e adultos com carências culturais, sociais e econômicas, possibilitando sua profissionalização para as funções técnicas de COMUNICAÇÃO COMUNITÁRIA. A ênfase na adjetivação COMUNITÁRIA é necessária, pois a formação desse profissional pretende superar as carências que o marginalizam e a sua integração no segmento da Comunicação COMUNITÁRIA, que deverá construir seu desenvolvimento e ampliação com esses profissionais das próprias comunidades. Ainda que este seja um conceito importante para a Rede Comunitária de Comunicação, há antecedentes que justificam a sua adoção como critério, particularmente, para o projeto Escola de Comunicação e Expressão Comunitária.
A informática, as artes e os esportes têm sido apresentados, repetidamente, como as alternativas mais viáveis para a inclusão e a ascensão social do jovem. Nas artes, a produção audiovisual, com uma "indústria" de muita visibilidade, é destacada com essa mesma argumentação. Ocorre que esta argumentação é aceita como fato, tanto por planejadores como também pela população jovem. Os primeiros se aplicam em identificar "oportunidades" e criar programas para aproximar o jovem dessas "oportunidades", enquanto este dedica suas energias e gasta os recursos, com que poderia suprir outras necessidades, para ter acesso ao conhecimento e à informação, e para desenvolver e melhorar habilidades nessas áreas. Infelizmente, as "oportunidades" são escassas ou estão distantes do jovem, com escolaridade, formação profissional, informação cultural e situação social e econômica deficientes. Portanto, esse jovem é uma vítima, pois é, continuamente, traído nas suas expectativas. Está em tempo de começar a reverter este quadro.
O projeto prevê a formação técnica de jovens e adultos das comunidades pertencentes aos Territórios Dos Povos do Cerrado, escolhidas em função do potencial para o empreendedorismo em comunicação comunitária. A Rede apresentará essas escolhas fundamentadas com informações de cada uma das comunidades, colhidas nos seminários presenciais de diagnóstico. A quantidade de jovens e adultos que serão formados em cada comunidade será uma função determinada pelos compromissos de integração desses profissionais nas respectivas unidades comunitárias produtoras de comunicação locais. Como as unidades produtoras integrantes da Rede apresentam grande diversidade de constituição jurídica, organização administrativa e relações de produção e comerciais, a integração desses profissionais será em conformidade com essas características particulares, mas haverá compromissos claros, quantificados, mas obviamente condicionados à expansão do mercado das respectivas produtoras. Essa hipótese não é irrealista, porque a Rede também trabalha com as outras dimensões da questão e, relativamente ao mercado, citou anteriormente uma parceria com a TV Pública, o Convênio de Produção e Exibição com a TV Pública.
O principal objetivo deste projeto é criar Unidades Comunitárias de Comunicação nos Territórios Dos Povos do Cerrado, para a realização de peças audiovisuais[1], onde o processo de criação reflita uma conscientização do meio audiovisual em todas as suas formas de apresentação (vídeo, TV, cinema, internet).
Durante o período do projeto propomos o treinamento e qualificação de jovens e adultos em diversas funções complementares da cadeia produtiva que estrutura a produção dessas peças audiovisuais. A introdução desses jovens/adultos no mercado de trabalho tende a fazer deles multiplicadores da experiência que se propõe ocorra em paralelo às ações de qualificação profissional.
As Unidades Comunitárias de Comunicação serão centros de produção local e regional estruturadas em Pontos de Cultura, atuando como pólos de formação para e pelas linguagens da Comunicação Comunitária(Audiovisual, Rádio,Redes Sociais, etc.) e como correspondentes da Central da Rede Comunitária de Comunicação. Apresentadas as características, meandros e potencialidades destas linguagens, estabelece-se junto ao usuário uma forma de contato dele para o mundo, dele para a comunidade e da comunidade através dele.
No caso da produção audiovisual, sua cadeia produtiva tem um espectro de sub-funções que encontra abrigo em diversos setores da sociedade, ou não seria uma assistente de figurino, alguém que especializou sua capacidade como costureira? Ou um assistente de cenografia alguém que se iniciou nas habilidades de marcenaria e eletricidade?
A realidade das funções de entrada no mercado do audiovisual é mais próxima da realidade possível de uma população economicamente desprivilegiada do que o pretenso glamour hollywoodiano.
Pretende-se também, fornecer um instrumental que permita ao público alvo contar suas histórias, expressar sua visão do mundo, na perspectiva da comunidade. A expressão dessas realidades apresentadas na forma de produção audiovisual integra os indivíduos na sociedade, seja pela simples comunicação de massa; resultado primário da exposição dessa produção,seja na capacitação do indivíduo para os diversos elementos que compõe o espectro dessa forma de produção.
Comunicação é a palavra chave do século XXI. Sociedades cada vez mais midiáticas precisam verticalizar suas ações sociais para integrar seus cidadãos. A comunicação com função social adquire uma importância insubstituível para se atingir esses pressupostos impositivos da contemporaneidade, com a colaboração para a formação de uma esfera pública de idéias e informações capazes de contribuir para a consolidação de uma sociedade democrática, republicana, livre, igualitária e moderna.
O público alvo para implantação desse projeto constitui-se de jovens e adultos das comunidades dos territórios onde se situam os Pontos de Cultura. De forma articulada é focado na essência cidadã destas comunidades abordadas e atendidas. A valorização dos indivíduos, sua qualificação em um espectro de ocupações tão vasto como o que envolve a produção audiovisual pode envolver muito mais do que o universo de participantes propostos para o programa. A ação reflete-se nas famílias e até mesmo na amplitude do Território, que invariavelmente será cenário de partida para a prática e efetiva produção. Ler o Território que é cenário dessas vidas é discuti-lo, valorizá-lo e propor ações de mudança e melhoria.
A Comunidade é um agrupamento social ativo e compromissado, ainda que necessitado de orientação de fundo social e humanista para desenvolvimento de possibilidades para seus moradores. Falta uma inclusão social responsável, e assim, e com ela a geração de desenvolvimento e qualidade de vida com a possibilidade de inserção no mercado de trabalho. A consolidação de ações entre sociedade civil, terceiro setor e setor público resultam em reivindicações pertinentes à realidade da população local, em busca de soluções de sustentabilidade para suas próprias vidas.
As Unidades Comunitárias de Comunicação aqui propostas serão um veículo desse processo de mudança de destino, de assertividade de sua presença social como comunidade, valorizando a essência humana, a história do individuo que compõe a história da comunidade que faz a história do território e a história de todos nós.
As comunidades dos Povos onde se inserem os Pontos de Cultura, como Territórios da Paz e da Cidadania, querem contar suas histórias, isso enquanto escrevem uma nova em tempo real. No cerne dos agrupamentos sociais que habitam tais territórios, estão jovens, em idade escolar, com avidez de desenvolvimento, mas sem formação específica, ou mesmo consciência de seu potencial nessa área de expressão (audiovisual) que podem produzir um documento social e politicamente relevante de suas realidades, e no processo adquirir habilidades e orientação técnica que efetivem sua inserção em um mercado de trabalho em franca expansão, e, graças ao relativo barateamento dos recursos mínimos para produção de peças audiovisuais, mais acessível do que nunca àqueles com espírito empreendedor.
O audiovisual em sua forma mais popular, a Televisão, guarda em sua relação com a população um elemento mítico, que a distancia nessa aura de mistério tecnológico. O apelido “Fábrica de Sonhos”, dado a Hollywood das décadas de 1940 e 1950, é hoje aplicado à TV Brasileira com a produção de novelas, em uma evoluída concepção melodramática, representando essa relação de constante interação entre a população e seus desejos. Há controvérsias se é a TV que inspira o sonho de sua audiência ou se a audiência reflete seus sonhos na tela do televisor. Qualquer que seja a verdade dessa questão é inegável a relação simbiótica entre as partes. Curiosamente, a relação técnica com a configuração desta “máquina de sonhos” é de total alienação. Como um grande mágico, a máquina televisiva não revela a todos, seus truques.
É preciso trazer para essas comunidades, a real possibilidade de fazer sua própria história.
A busca de inserção dessas comunidades e, antes de tudo, de seus membros como cidadãos, seres políticos conscientes e não exclusivamente como técnicos do setor audiovisual[2], passa pela sustentação da auto-estima destes indivíduos e pela conscientização através da prática da existência de outros caminhos para a realização dos seus sonhos. Junto a essa formação de consciência social proposta quer-se possibilitar a reivindicação ordenada e politicamente correta de serviços que possa suprir as necessidades identificadas e documentadas através das realizações da Unidade Comunitária de Comunicação.
2. Justificativa
O projeto pega o trem da produção audiovisual para abordar em seus diversos vagões os elementos que compõe esse cenário socialmente insalubre, dando condições a essas famílias para a descoberta de uma estrutura, um caminho que as coloquem dentro do padrão básico estabelecido pelo Índice de Desenvolvimento Humano – IDH. Dessa forma conseguir-se-ia resgatá-los em sua cidadania, inaugurando uma nova fase em suas vidas.
O papel da Unidade Comunitária de Comunicação é de, primariamente, capacitar jovens em diversas funções que servem de porta de entrada na cadeia produtiva do audiovisual.
As diversas oficinas que constituem o projeto (19 ao todo, entre gerais e específicas) devem qualificar operadores de câmera, operadores de áudio, operadores de luz e Elétrica, fotógrafos, assistentes de figurino, técnicos de cabelo e maquiagem, cenotécnicos, bem como profissionais de edição com habilidades para edição computadorizada.
Como já mencionado na introdução, tais funções, embora caracterizadas no programa como dedicadas à produção audiovisual, encontram lugar tanto em sua carreira individual (fotógrafo, operador de câmera, cabeleireira, etc), como em ocupações correlatas que fazem uso das habilidades aqui direcionadas ao audiovisual (profissional com conhecimento de softwares gráficos, pessoal com habilidade na produção de eventos, etc).
A escolha de uma Unidade Comunitária de Comunicação para a ação em cada comunidade justifica-se no alcance dessa qualificação proposta. Quer-se a solidificação de um centro de produção que ao término do período do projeto passe as mãos da comunidade e a ela sirva como canal de divulgação, reivindicação, crescimento cultural e valorização da própria comunidade, mas em paralelo, ferramenta para inserção do jovem morador em um mercado de trabalho especializado e ainda carente de profissionais em nível de entrada (técnico de apoio) com conhecimento do setor e potencial de crescimento.
A inclusão programática de uma visão empreendedora pretende promover a associação desses jovens, a se iniciar na formação de equipes de trabalho dentro projeto e incentivada e assessorada na segunda fase de sua condução. O objetivo é de promover, dentro desse cenário comunitário, ações de empreendedorismo que reafirmem uma alteração de percepção e atitudes em relação às formas tradicionais de emprego e dos meios disponíveis para a geração de renda e a auto-sustentabilidade.
O jovem brasileiro em especial é naturalmente empreendedor e o estabelecimento de diretrizes que possam apoiá-los no desenvolvimento de suas vocações e aptidões, qualificando-os e impregnando neles uma nova cultura empreendedora, capaz de gerar riquezas materiais e sociais, pode representar a diferença de escolhas em suas vidas.
Esse projeto quer ser um caminho para que o jovem tenha papel central na definição de seu futuro. Com base no conceito de protagonismo juvenil, o projeto deve buscar a qualificação para o trabalho, para o saber empreender e o desenvolvimento integral do jovem na busca de formas sustentáveis de geração de renda, resultando na melhoria da qualidade de vida comunidade em que está inserido.
3. Objetivo Geral
Dentro de uma visão ampla em que se quer também abrir perspectivas educacionais, orientando os jovens quanto ao caminho acadêmico possível dependendo da função e solução escolhida para uso do ferramental de produção audiovisual[3], o objetivo geral do projeto é incluir socialmente jovens, de duas maneiras distintas:
1. Pela capacitação em funções específicas, pertinentes ao espectro de produção audiovisual, o que leva a uma absorção pelo mercado audiovisual, carente deste tipo de profissional de apoio ou em mercado correlato às funções a que o jovem se qualifica; e
2. Pela estruturação, organização e desenvolvimento de ações de incentivo ao empreendedorismo que levem a produção independente a partir do trabalho coletivo das equipes estruturadas no programa do projeto.
A capacitação dos jovens das áreas em questão, para a produção digital, através da formação de equipes de produção, devidamente qualificadas, propicia aos participantes, além do desenvolvimento de habilidades em diversas capacidades componentes do processo de produção para todas as mídias: TV, cinema e internet, uma poderosa ferramenta de interação com a comunidade e de inclusão indireta de pessoas que orbitam o sistema do participante.
No anexo I, ao fim deste projeto, acrescentamos uma compilação de todas as funções do espectro cinematográfico, afim e compreensíveis também no espetro audiovisual como um todo. Neste projeto, específico em sua primeira onda de aplicação[4].
As Funções que este projeto aborda e para as quais foram desenvolvidas oficinas específicas são, a saber:
- Assistência de Direção
- Operador de Câmera
- Operador de Áudio
- Operador de Luz e Elétrica
- Fotografia
- Produção
- Figurino
- Cabelo e Maquiagem
- Cenografia (cenotécnico)
- Edição
- Finalização e Computação Gráfica
- Criação de Roteiro
4. Objetivos Específicos
Os objetivos específicos abaixo são relacionados aos diversos elementos que se pretende trabalhar e cujas transformações individuais contribuirão para a alteração global da situação enfrentada. Estão necessariamente articulados ao Objetivo Geral.
4.1 Quadro Geral de Objetivos:
Objetivo Específico |
Resultados Esperados |
Atividades a serem implementadas | |
Qualitativos | Quantitativos | ||
1. Qualificação do jovem para o mercado de trabalho, nas diversas funções do espectro audiovisual. | Capacitação técnica satisfatória em nível que atenda esse segmento. | 80% da massa de jovens do programa certificados nas funções específicas a que foram treinados. | Oficinas específicas, aulas teóricas, prática intensiva de produção para vídeo, TV e web. |
2. Inserir o jovem no mercado de trabalho desse segmento, seja em funções individuais ou na produção coletiva, dando a eles a visão de alternativas de acesso em diferentes fases do processo de elaboração de peças audiovisuais. | Produção de peças audiovisuais autônomas com produção de grupo empreendedor de alunos e/ou participação efetiva de membros do grupo discente em produções de empresas estabelecidas no mercado. Satisfação manifesta de alunos empregados em funções afins com sua nova qualificação | Inserir pelo menos 30% dos jovens atendidos no projeto no mercado de trabalho, ou abertura de empreendimento formal, buscando o maior aproveitamento possível, dentro do conteúdo e do processo proposto. | Curso de empreendedorismo e economia solidária. Acompanhamento e assessoria na busca e realização dos vínculos empregatícios. |
1. Implementar a consciência da realidade social em que vivem e valorizar a história individual e coletiva dos participantes. | Participação da comunidade, manifestada em ações de órgãos representativos da comunidade (associações).
| Quantificação crescente da participação de moradores em ações do grupo produtor de peças audiovisuais. | Atuação de assistentes sociais em trabalho junto às famílias dos participantes. Envolvimento da comunidade na fase de pesquisa para elaboração de roteiros. |
2. Promover a integração da população em torno de elaboração de peças que falem de e para a comunidade, refletindo suas realizações e demandas, e com isso dar subsídio à melhoria do nível cultural da população local. | Participação da comunidade, manifestada em ações de órgãos representativos da comunidade (associações). Orgulho da história individual. | Realização da taxa de empregabilidade. Melhoria nos indicadores sociais da comunidade em termos de renda, violência, estudo. | Trabalho contínuo de inserção da comunidade nas ações didáticas do centro, incluindo-a como tema, fonte de histórias para roteirização e, ao mesmo tempo, divulgar junto dela todos os produtos do centro audiovisual. |
3. Possibilitar aos participantes mecanismos para que comecem seu próprio negócio. | Sucesso na empregabilidade do grupo discente em funções representativas do processo de produção audiovisual | Controle da porcentagem de alunos que efetivamente optaram pelo auto-empreendedorismo. | Efetivar apoio junto a parceiros para absorção de participantes e assessorar grupos que optarem pelo desenvolvimento autônomo. |
4. Estruturar equipes para gerenciar adequadamente projetos audiovisuais e fortalecer a auto-estima ao proporcionar acesso à informação global e formação educacional. | Formação de equipes de produção com representantes de cada setor. | Quantificar a produção de peças e as equipes formadas como resultado da aplicação das oficinas de instrução geral e específicas. | Aplicação das oficinas teóricas e práticas de cunho geral e específico. |
4.2 Comentários sobre as áreas específicas de desenvolvimento:
à Roteirização (criação de Roteiro): Capacidade narrativa para produção de textos (roteiros), que nada mais são do que a estruturação de uma idéia ou história em forma de projeto escrito para captura de imagens, posterior edição e finalização para confecção da peça audiovisual.
à Pré-produção: Toda a gama de serviços de apoio a captura de imagens e também composição de cenografia para a realização do audiovisual. Vai de serviços de carpintaria, eletricidade (cenografia) e costura (figurino) a iluminação, administração de direitos de imagem, logística de apoio a gravação e alimentação.
àProdução: Capacidade de administrar o processo de execução da obra audiovisual, suprindo os elementos necessários para o andamento do plano de gravação. Atividades vão desde o orçamento e locação de equipamentos, passando pela organização das gravações e eventos, coordenação com os demais membros da equipe e supervisão da desprodução e pós-produção.
Quer-se preparar o jovem para as diversas funções da equipe de produção, como produtor de platô, secretário de produção, produtor de elenco e assistente de produção.
à Direção: Capacidade de gerenciar a tradução em imagens do texto do roteiro com todos os seus requisitos. Sob o tema Direção está o aprendizado de operação de câmaras, a escolha das lentes, e o entendimento de sua influência nas características do material captado, as opções de enquadramento, de foco e de movimentos de câmera, etc.
à Direção de arte (figurino, cenografia): Práticas de confecção de roupas e cenários (projeto e execução) com formação assessoria em oficinas onde são apresentados instrumentos, técnicas e linguagens do setor de cenografia de cinema, TV e vídeo. O participante capacita-se a funções como de cenotécnico, assistente, maqueteiro, aderecista, técnico de palco, técnico de TV ou de cinema em cenografia.
à Direção de fotografia (iluminação): Busca desenvolver um olhar sensível e crítico do aluno em relação à iluminação de um set de filmagem. O jovem conhece as ferramentas técnicas e estéticas para criar efeitos, valorizar o cenário e os elementos de cada cena.
Além das técnicas de iluminação, exercita conhecimentos fundamentais de elétrica, sendo habilitado a gerenciar os elementos periféricos relacionados à luz e sua função essencial na composição de imagens.
à Pós-produção: Apoio no processo que se aplica após a captura das imagens para execução do audiovisual, incluindo todos os elementos requeridos para uma edição e finalização bem sucedidas.
à Edição: Ensina o aluno a operar switcher de vídeo, remote, mixer de áudio e demais hardwares para edição e sincronização. Além disso, também o capacita a usar softwares de edição (Adobe Premiére, Final Cut, entre outros).
O jovem analisa e seleciona materiais diversos para organizá-los segundo a orientação de um roteiro; identifica os princípios de funcionamento dos equipamentos de captação de som e vídeo para avaliar a qualidade do produto; e interpreta roteiros e scripts para estabelecer cortes de forma a garantir o entendimento completo da mensagem. A intenção é capacitar o jovem a trabalhar como operador e editor de VTs e assistente de edição.
à Finalização: Aqui o jovem toma contato com conceitos tradicionais de design no que diz respeito à organização plástica do campo visual para que o aluno desenvolva trabalhos para a área audiovisual.
Apresentam-se os softwares Photoshop, Illustrator e After Effects e capacita-se o jovem nas diversas especialidades da computação gráfica para o mercado audiovisual e de impressão, como efeitos visuais, design de gráficos em movimento, ilustração digital, tratamento de imagem e design de conteúdo tridimensional.
A formação de técnicos específicos, segundo a tendência e facilidade para esta ou aquela função, enquanto trabalhando a produção coletiva tematizada pela leitura consciente da realidade do ambiente em que vivem deve muni-los de instrumentos que, mesmo em ocupações vicinais do espectro audiovisual, possibilitem geração de renda aos agentes envolvidos.
Cada um dos elementos da cadeia de suprimento de uma produção audiovisual envolve diversas funções em que o treinamento específico, em si só, constitui capacitação técnica aplicável em diferentes contextos. Carpinteiro, eletricista, fotógrafo, costureira especializada, diagramador, editor gráfico, operador de áudio, operador de câmera, cenógrafo – tratam-se de funções que podem evoluir para universos externos ao do audiovisual.
O grupo em formação à medida em que produz suas peças audiovisuais em sua interação com a comunidade em que se insere, vai atender primeiramente uma demanda local, em nível municipal. Posteriormente, no trabalho de acompanhamento e desenvolvimento de relações com instituições de ensino e de ação social, haverá expansão para regiões que manifestem a carência desse tipo de produção, sempre voltada a relatar o momento político-social da comunidade abordada.
Além das disciplinas específicas quer-se estruturar um curso que siga em paralelo com todo o projeto, com disciplinas de estruturação teórica, também na forma de palestras e oficinas.
5. Público Alvo
Jovens e adultos residentes nos Territórios dos Povos do Cerrado, que freqüentarão as oficinas presenciais e à distância da Escola de Comunicação e Expressão Comunitária- Rede Comunitária de Comunicação. Tais participantes serão encaminhados nas diversas funções do espectro de produção audiovisual, de produção de rádio, eventos e redes sociais Web, seja em funções individuais, seja como grupo que, com apoio de parcerias com instituições, canais comunitários e outras associações locais, passa a gerar uma produção local independente. As próprias Unidades Comunitárias de Comunicação devem absorver a mão de obra formada, colocando participantes de destaque na função de monitores e multiplicadores de conhecimento.
6. Metodologia
Formato 1- Oficinas Presenciais
Durante as oficinas presenciais serão produzidas edições do programa de TV “REDE COMUNITÁRIA” com 26 minutos de duração cada. O programa será dividido em edições temáticas. Os temas serão definidos pelo conteúdo das disciplinas teóricas da qualificação básica. Assim, a disciplina Cidadania, por exemplo, terá seu conteúdo desenvolvido dentro do programa televisivo, como tema central de uma edição. Já os conteúdos específicos da área de produção cultural – audiovisual, serão desenvolvidos na prática durante a produção dos programas.
Os professores/instrutores do tronco de disciplinas específicas de conteúdo audiovisual, todos profissionais da área, se posicionarão como chefes de equipe que orientarão os alunos, seus assistentes, a auxiliá-los nas tarefas referentes a sua área de atuação.
A esse formato, será necessário iniciar o curso com noções teóricas próprias da produção audiovisual fundamentais para um conhecimento prévio do trabalho em equipe que será realizado. Essa será a primeira etapa do curso que terá duração de duas semanas. Aqui, aulas expositivas de introdução ao audiovisual serão realizadas no próprio ambiente de produção montado na comunidade. Nessa primeira etapa os alunos optarão pela função que exercerão na produção, uma das áreas de especialização.
A terceira semana de curso inaugura a produção da primeira edição temática do programa de TV que se estenderá até a sexta semana de curso. Chamaremos a fase de produção dos programas de segunda etapa do curso. Teremos quatro blocos de produção / formação nesta etapa. Cada bloco da segunda etapa se organizará da seguinte forma:
2 semanas de pré-produção
1 semana de produção
1 semana de edição e finalização
No final da quarta semana de produção os alunos serão premiados com a exibição pela TV Pública e na internet da edição do programa recém finalizado.
Como haverá quatro blocos dessa segunda etapa do curso, nas quais serão produzidas edições do programa televisivo, os alunos terão oportunidade de mudar de função de uma edição para outra. Assim, aqueles que não se adaptarem ou não se identificarem com a função exercida durante a produção da primeira edição, junto com a orientação de seu professor/chefe de equipe, terão uma chance de escolher uma área de formação de sua preferência.
As duas últimas semanas do curso serão reservadas às disciplinas de empreendedorismo, formação de cooperativas, elaboração de currículos multimídia e distribuição e mercado. Essas disciplinas demandam uma experiência prévia da realidade da produção audiovisual para que façam sentido. Aqui, os alunos participarão diretamente do processo de sua inserção profissional.
Conteúdo Programático:
200 horas: Disciplinas Teóricas de Formação Básica
Valores Humanos
Ética e Cidadania
Educação Ambiental
Saúde
Qualidade de Vida
Apoio a elevação da escolaridade
Inclusão Digital
1ª ETAPA:
Algumas dessas disciplinas, compondo 30 horas de formação, serão oferecidas durante as duas primeiras semanas de curso, na chamada 1ª ETAPA, quando os conceitos éticos e de cidadania que norteiam o trabalho de equipe e o trabalho de televisão deverão ser apresentados aos alunos.
2ª ETAPA:
Outras dessas disciplinas, compondo 160 horas dedicadas a essa formação teórica básica deverão ser preenchidas ao longo da segunda etapa do curso, compondo o conteúdo temático dos programas. Dessa forma o conteúdo, em vez de ser ministrado em sala de aula por professores, será pesquisado pelos próprios alunos que o debaterão, entrevistarão especialistas de áreas, enfim, construirão seu próprio conhecimento enquanto constroem seu programa de TV.
3ª ETAPA:
As 10 horas restantes, referentes às disciplinas teóricas de formação básica, serão reservadas para as duas últimas semanas de aula. É fundamental que disciplinas voltadas para a avaliação do processo de trabalho e da cidadania sejam ministradas no final do curso, quando os alunos já tiverem uma experiência prática do processo.
200 horas de conteúdo específico
Essas 200 horas de conteúdo específico se dividirão da seguinte forma:
1ª ETAPA:
10 horas nas duas primeiras semanas de aula serão dedicadas a disciplinas teóricas preparatórias para o trabalho de produção audiovisual.
Serão elas:
1. História do Cinema e da televisão I (introdução ao Audiovisual) 5 horas/aula – 150 alunos
2. Roteiro e Reportagem (a substância da produção cinematográfica)5 horas/aula 150 alunos
2ª ETAPA:
160 horas serão reservadas às disciplinas específicas que serão desenvolvidas na prática da produção do programa de TV “CERRADOS GERAES”.
Aqui os alunos serão divididos em turmas/equipes específicas de aprendizado. Como estarão todos produzindo o mesmo programa temático, apesar de desenvolverem funções específicas distintas, terão todos o mesmo tema central das disciplinas teóricas básicas.
As equipes se dividirão da seguinte forma:
- Assistência de Direção
- Operador de Câmera e Fotografia
- Operador de Áudio
- Elétrica e Maquinária
- Produção e Produção executiva
- Figurino
- Cabelo e Maquiagem
- Cenografia (cenotécnico)
- Edição Web design e Animação
- Criação de Roteiro
3ª ETAPA:
1 Empreendedorismo/Economia solidária
2 Imagem Pessoal / Elaboração de um currículo multimidia
3 Produção Executiva (administração financeira e gerenciamento de job)
6.1 Pré-Seleção dos participantes
Os participantes do projeto devem se submeter a uma avaliação e entrevista para qualificação de suas habilidades de expressão e conformidade com a proposta do projeto. As oficinas que compõe a estrutura do projeto são divididas em parte teórica de conhecimento geral e parte específica. Os alunos pré-selecionados, durante as duas primeiras semanas de curso, serão direcionados às disciplinas/funções práticas de acordo com seus interesses e habilidades apreendidos durante as primeiras duas semanas de aulas teórica.
Aplicação das oficinas:
Após serem direcionados às disciplinas/funções específicas, de acordo com suas habilidades e interesses apreendidos após as duas primeiras semanas teóricas referente à 1ª ETAPA quando serão realizados debates em aula e os alunos estarão respondendo a questionários, cada interessado vai ocupar uma vaga de intenção específica.
Na 2ª ETAPA, aquele que optar por figurino durante a produção da primeira edição do programa, não fará parte, aqui, da equipe de operação de câmera, porém, da primeira para a segunda edição do programa, poderá haver uma adequação de interesses e troca de funções.
Na 3ª ETAPA, os alunos serão divididos em 3 grupos de 10 alunos para as disciplinas gerais de finalização do curso.
Oficinas teóricas:
A assiduidade deverá ser superior a 80%, como requisito para obtenção do certificado de conclusão do curso e para inclusão nos grupos que venham a ser formados.
O projeto prevê a substituição de participantes e/ou remanejamento interno até o segundo mês de sua implantação.
10. Mapa de Ação, objetivos específicos e quantificação de resultados
Empreendedorismo /Economia solidária | ||||
Imagem Pessoal | ||||
Planejamento de Mídia | ||||
Produção Executiva (administração financeira e gerenciamento do Job) | ||||
História do Cinema I (introdução ao Audiovisual) | ||||
História do Cinema II (Prática, movimentos de câmera, gêneros...) | ||||
“Pré-roteiro” | ||||
OFICINAS ESPECÍFICAS | ||||
Assistência de Direção | ||||
Operador de Câmera | ||||
Operador de Áudio | ||||
Operador de Luz e Elétrica | ||||
Fotografia | ||||
Produção | ||||
Figurino | ||||
Cabelo e Maquiagem | ||||
Cenografia (cenotécnico) | ||||
Edição | ||||
Finalização e Computação Gráfica | ||||
Criação de Roteiro | ||||
7. Inserção de Participantes
8. Trabalhos Comunitários
9. Compromisso Futuro
O monitoramento será realizado pelo Conselho Gestor do Projeto, formado por representantes indicados pelas instituições parceiras, acompanhando e avaliando processualmente o cumprimento das ações de qualificação, formalização do empreendimento e de inserção dos jovens, mantendo cadastro individualizado dos beneficiários, bem como listas de presença que comprovem a freqüência dos jovens nos cursos realizados.
Cabe a Coordenação Geral do Projeto o envio, aos concedentes de recursos por convênio, dos instrumentos de monitoramento e de avaliação previamente definidos, contendo relatórios mensais, parciais e finais, para avaliação. A Coordenação fica incumbida ainda de fornecer o acesso às informações referentes às ações executadas, sempre que solicitadas.
10. Mapa de Ação, objetivos específicos e quantificação de resultados
Empreendedorismo /Economia solidária | ||||
Imagem Pessoal | ||||
Planejamento de Mídia | ||||
Produção Executiva (administração financeira e gerenciamento do Job) | ||||
História do Cinema I (introdução ao Audiovisual) | ||||
História do Cinema II (Prática, movimentos de câmera, gêneros...) | ||||
“Pré-roteiro” | ||||
OFICINAS ESPECÍFICAS | ||||
Assistência de Direção | ||||
Operador de Câmera | ||||
Operador de Áudio | ||||
Operador de Luz e Elétrica | ||||
Fotografia | ||||
Produção | ||||
Figurino | ||||
Cabelo e Maquiagem | ||||
Cenografia (cenotécnico) | ||||
Edição | ||||
Finalização e Computação Gráfica | ||||
Criação de Roteiro | ||||
11. Aplicação e Sustentabilidade
A sustentabilidade passa por um mapeamento das dificuldades ao longo da implantação e condução do projeto. É importante que se registre diariamente os resultados de andamento das ações. O ineditismo do projeto traz consigo riscos e situações que se não resolvidas de imediato podem comprometer os resultados.
11.1 MONITORAMENTO E AVALIAÇÃO DAS AÇÕES
11.1.1 O monitoramento será realizado pelas entidades da Rede Comunitária de Comunicação, acompanhando e avaliando processualmente o cumprimento das ações de qualificação, formalização do empreendimento e de inserção dos jovens, mantendo cadastro individualizado dos beneficiários, bem como listas de presença que comprovem a freqüência dos jovens nos cursos realizados.
11.1.2 Cabe às entidades participantes da rede o envio, à Coordenação Geral do Projeto, dos instrumentos de monitoramento e de avaliação previamente definidos, contendo relatórios mensais, parciais e finais, para avaliação por parte da mesma. As entidades ficam incumbidas ainda de fornecer o acesso às informações referentes às ações executadas, sempre que solicitadas.
11.1.3 Monitoramento, nos moldes de Incubadora de Empresas, por Equipe Técnica e Conselho Gestor eleito pelos jovens da comunidade e representantes da entidade ao longo de aproximadamente 12 meses; período que se acredita adequado para independência do negócio e pressupõe-se que os jovens inseridos no mercado de trabalho contarão com posição mais estável nos postos em que ocupam.
11.2 MARKETING DO PROJETO
11.2.1 Divulgação da Unidade Comunitária de Produção Audiovisual na comunidade, através de palestras junto a órgãos de representação local e discussões promovidas pelos organizadores da Unidade em conjunto com os primeiros participantes do projeto e convidados da indústria do audiovisual;
11.2.2 Articulação das entidades públicas e privadas para a oferta de oportunidades de especialização, cursos e emprego aos participantes quando da conclusão do curso;
11.3 PARCERIAS
11.3.1 Parceria junto a Rede Pública de Televisão, TV Brasil, UnB TV, Canais Comunitários, TV SESC, TVs Universitárias – Legislativas, Judiciárias entre outras) para absorção e divulgação do material produzido e inserção na grade de programação.
11.3.2 Identificação e aglutinação dos jovens empreendedores;
11.4 CAPACITAÇÃO:
Aplicada em níveis diferentes de orientação, e segundo as fases e categorias de desenvolvimento de um projeto de audiovisual.
As três grandes fases são:
11.4.1 A elaboração da história (argumento, roteiro, e escolha de formatação da peça);
11.4.2 Pré-produção e Produção (casting, fotografia, iluminação, operador de câmera), Operador de áudio, Direção de arte (figurino, cenografia), Direção;
11.4.3 Pós-produção (digitalização, edição, finalização, efeitos, trilha).
A freqüência mínima exigida nas ações de qualificação do empreendedorismo é de 75%, seguindo o critério do Plano Nacional de Qualificação (PNQ).
Para efeitos de cumprimento da meta de qualificação, será aceita a taxa de evasão de 10%, conforme estabelece o PNQ. A substituição de aprendizes que porventura deixarem de freqüentar os cursos somente poderá ser efetivada, no máximo, até a execução de 25% das ações de qualificação.
11.5 Orientações adicionais complementares à produção de audiovisual
desde noções simples do processo associativo até a gestão empresarial, envolvendo orientações jurídicas, contratuais, entre outras;
11.5.1 Iniciar ao longo do processo de produção de peças a constituição de Associações ou Cooperativas, após a realização do primeiro conjunto de produções, para viabilizar novas ações e realizações independentes;
11.5.2 As produções iniciais serão veiculadas na Web, onde um diário de implantação do projeto será desenvolvido com atualizações quinzenais. Uma vez terminada o primeiro conjunto de produções o site do projeto passa a ter um caráter de divulgação para desenvolvimento de novas parcerias e interação com o grupo de criação;
11.5.3 Monitoramento do processo através de equipe técnica designada;
11.5.4 Consolidação do processo associativo com a implantação do negócio.
12. Avaliação dos Resultados
Propõe-se uma avaliação contínua, através do Conselho Gestor da Rede Comunitária de Comunicação. Tal Conselho prevê a presença de representantes das entidades e caso haja necessidade, um representante de órgão concedente de recursos por convênio, O Conselho, em reuniões periódicas agendadas em sintonia com a apresentação de resultados (peças audiovisuais que são produtos da RedeCCom) deve avaliar o impacto do treinamento e o aproveitamento das ações empreendedoras junto à sociedade. A avaliação da porcentagem de absorção dos profissionais pela indústria e a conseqüente geração de renda para a comunidade também são avaliadas na oportunidade.
Relatórios de monitoramento serão gerados para acompanhamento das ações propostas e registro de recomendações de possíveis correções no andamento de ações. A avaliação da eficácia servirá para ampliação dos cursos e projetos com base em Incubadoras Populares de outros segmentos, possibilitando trabalho não só com o jovem, mas também junto aos seus familiares.
13. Metas (quadro geral)
16. Cronograma de Execução
AÇÕES A SEREM DESENVOLVIDAS | Mês 01 | Mês 02 | Mês 03 | Mês 04 | Mês 05 | Mês 06 | Mês 07 | Mês 08 | Mês 09 | Mês 10 | Mês 11 | Mês 12 | Mês 13 |
Diagnóstico Sócio Econômico | | | | | | | | | | | | | |
Divulgação junto à comunidade | | | | | | | | | | | | | |
Pré-Seleção dos Jovens | | | | | | | | | | | | | |
Cadastramento dos Jovens | | | | | | | | | | | | | |
Articulação c/ entidades pública e privada | | | | | | | | | | | | | |
Estabelecimento de Parcerias | | | | | | | | | | | | | |
Reuniões Comunitárias | | | | | | | | | | | | | |
Seminários de Sensibilização | | | | | | | | | | | | | |
Formação de Equipe | | | | | | | | | | | | | |
Adequação do Espaço | | | | | | | | | | | | | |
Capacitação dos Educadores | | | | | | | | | | | | | |
Aprovação do Conteúdo Programático | | | | | | | | | | | | | |
Inicio das Aulas | | | | | | | | | | | | | |
Remanejamento possível de jovens |
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Aula Inaugural | | | | | | | | | | | | | |
Aulas Teóricas Gerais | | | | | | | | | | | | | |
Aulas Específicas | | | | | | | | | | | | | |
Inicio da Prática na área de | | | | | | | | | | | | | |
Definição de Roteiros para as Peças a serem produzidas |
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Início da Produção Gravações |
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Primeiro conjunto de Peças Audiovisuais |
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Apresentações em Eventos | | | | | | | | | | | | | |
Lançamento do Site | | | | | | | | | | | | | |
Divulgação de peças via site |
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Consolidação de Parcerias | | | | | | | | | | | | | |
Cerimônia de Graduação | | | | | | | | | | | | | |
Revisão do Projeto | | | | | | | | | | | | | |
Lançamento do Projeto para o próximo período | | | | | | | | | | | | | |
17. AGÊNCIA ESCOLA
APRESENTAÇÃO
Como atividade permanente, a Escola de Expressão e Comunicação Comunitária manterá a sua agência/produtora para o desenvolvimento de produtos próprios e outros contratados no mercado para desenvolvimento em regime de ensino/aprendizagem. Assim, como produto de aprendizagem prática das oficinas de produção audiovisual do projeto REDE COMUNITÁRIA DE COMUNICAÇÃO/ESCOLA DE EXPRESSÃO E COMUNICAÇÃO COMUNITÁRIA, será realizado o programa de TV “REDE COMUNITÁRIA”, uma estratégia que objetiva divulgar as ações das comunidades/Territórios, onde estão inseridas as Unidades Comunitárias de Comunicação, além de iniciativas de empreendedorismo comunitário identificadas e desenvolvidas no âmbito dos programas governamentais, capacitando jovens e adultos para atividades de produção audiovisual e gerando como produto programas de TV para veiculação em espaços na programação das emissoras da EBC, UnB TV e demais canais da Rede Pública de Televisão e Canais Comunitários.
OBJETIVOS:
Desenvolver atividades de comunicação comunitária (TV, Rádio, Site, Assessoria de Comunicação), mantendo a editoria do programa semanal de TV REDE COMUNITÁRIA, como prática de aprendizagem das oficinas de capacitação em produção audiovisual.
Promover interdisciplinaridade/transversalidade na integração de programas governamentais direcionados a jovens e adultos, pautando e divulgando alternativas de empreendedorismo e ações comunitárias que os tenham como protagonistas
REDE COMUNITÁRIA
Programa de TV
Duração: 26 minutos
Veiculação: TV BRASIL/EBC, UnB TV e Rede Pública de Televisão
Periodicidade: Semanal
Horário: A definir
[1] Entende-se por peça audiovisual toda e qualquer produção (resultado de processo comunicativo) com a utilização conjunta de componentes visuais (signos, imagens, desenhos, gráficos etc.) e sonoros (voz, música, ruído, efeitos onomatopeicos etc.), ou seja, tudo que pode ser ao mesmo tempo visto e ouvido. Tratam-se de produções para vídeo, rádio, web, cinema, ou mesmo fotografia.
[2] A intenção primeira e o resultado prático quantificável do projeto é evidentemente a qualificação e inserção de 30% de todos os jovens que participarem do projeto.
[3] Comunicação, Jornalismo, Marketing, Cinema, Internet, Rádio e TV, etc.
[4] Ao longo de sua avaliação e crentes na continuidade e autonomia do Centro ao fim do projeto, serão sugeridas e descobertas outras oficinas de aplicação específica.
PÓLO DE PRODUÇÃO AUDIOVISUAL DE GOIÂNIA
Goiânia possui um grande capital na área de produção audiovisual. Com uma política pública consistente de incentivo à indústria da produção audiovisual, a Capital de Goiás abrirá espaço de atuação para talentos locais, consolidando-se como Polo de Produção Artística Regional.
- O cinema e a televisão são indústrias sem chaminés que pontificam no setor de entretenimento como atividades ecologicamente corretas e geradoras de postos de trabalho especializados que mobilizam grandes contingentes de profissionais. De roteiristas, fotógrafos, produtores, iluminadores, cenógrafos, maquiadores, designers e diretores até motoristas, eletricistas, costureiras, serralheiros, além de inúmeras outras ocupações que dão suporte a cadeia produtiva do audiovisual. Além do bom momento vivido pelo setor com a diversidade de produções e canais de divulgação estruturados via internet, canais a cabo e modelos tradicionais de emissão, a região ganha pontos pelo bucolismo exótico e variedade de cidades modernas e históricas em rotas de fácil acesso para a produção de conteúdos.
- Criação da Escola de Cinema do Cerrado - Centro Técnico de Produção Audiovisual, com cursos profissionalizantes para artistas e técnicos de cinema e televisão em suas diversas áreas, principalmente naquelas em que o avanço da tecnologia opera de forma determinante para a qualidade dos produtos e seu sucesso no mercado, tais como o vídeo design/cenografia virtual e o segmento de jogos eletrônicos.
- Destinação de área para a construção de estúdios de cinema e Televisão, cidades cenográficas, para dar suporte a produções locais e externas com locações em nossa região.
- Incentivos fiscais para atrair produções audiovisuais para nosso município
- Regionalização da produção cultural de cinema e televisão
- Incentivo à formação de modelos e arranjos produtivos com associações de profissionais de produção audiovisual.
OFICINA DE DIREÇÃO DE ARTE

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